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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Pra espantar as moscas de 2008

Macacada, há quanto tempo! 2008 passou e eu estive ocupado com tarefas do trabalho. Mas já estou de boa novamente. Enchendo a cara em dia de semana e vagabundando por aí pra variar. Afinal, estou com os ovos pro ventilador, de férias.

As primeiras horas de 2009 foram marcadas por um banho de piscina embriagado e frio em casa, muita cerva e outras cocitas. O sol ainda despertava quando pegávamos a estrada eu, Rayo, Beto e seus pais Roberto e Daguinha. Num Uno alugado, a gente partia para praia de Canoa Quebrada no Ceará.

Cinco horas de estrada depois e lá estávamos nós com aquela vista linda de cima das falésias de Canoa. Procurando um lugar pra acampar, acabamos por achar um quartinho muito bom por uma pechincha. Deu pra acomodar a turma toda e de sobra ainda tinha uma geladeira pra gente despejar as biritas.

Falésias, mar azul esverdeado, muita gente, jangadas e jegues pra passeio, barraquinhas estilizadas erguidas com madeira, assim era Canoa, praia bonita, mas que perde pra nossa Pipa e sua praia do amor e adjacências.

Pra manter o hábito, toda manhã a gente se reunia na praia pra pegar um solzinho, tomar aquele banho de mar, ver bundas, comer uns pastéis de camarão, arraia e beber umas cervas na maior paz, com vento no rosto e sem nenhum aperreio.

Da praia a gente subia pra rua principal e almoçava. Às vezes churrasco, outras um prato feito do bom pra não gastar tanto. Por sinal, Canoa apresenta uma variedade interessante de bares e restaurantes. Tem pra todos os gostos e bolsos. Desde refinados pratos de culinária gringa até PFs por modestas seis pratas.

De bucho cheio, nada melhor que uma deitada, para alguns, para outros, mais birita. Acompanhar o fim de tarde na praia de frente pro mar é a pedida. Curtir um reggae em certas barraquinhas, dar uma sacada na fauna de pessoas e pra não ficar de cara, fazer a cabeça na maior tranquilidade.

À noite as coisas pegam fogo. O movimento é grande e nesse quesito a nossa Pipa perde pra Canoa. Gente de todas as tribos passam pela rua principal – sabe-se deus por que chamada de Broadway – em busca de diversão, e encontram. Reggae, forró, dance, vários ritmos se misturam pela rua que a partir das dez da noite está bastante lotada. Pra beber, vários barzinhos estilizados oferecem drinques interessantes.

Apesar dos vários ritmos, Bob Marley lá é rei. E pra curtir um Reggae do caralho, com muita gente doida, à beira mar e com uma fogueira criando um clima muito foda de lual, a parada é descer por entre as falésias para o Freedom Bar, porque esse é O Bar de Canoa.

Pois é, foram quatro dias conhecendo Canoa e suas quebradas. Voltei de lá satisfeitíssimo e com o compromisso de retornar pra poder curti de forma mais alucinada, porque vale a pena. A empolgação pra contar tudo com os mínimos detalhes é grande, mas na boa, nenhum discurso será melhor que uma sacada in loco.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sábado eu fui pro castelo [final]

Agora eu me lembro do fim da festa no tal Castelo Pub, quando todos iam embora e eu observava os últimos bêbados que partiam. Entre eles vinha o amigo B., um sujeito franzino, dos cabelos rasos e uns óculos de grau. Nessa hora Z. estava só a merda. Já havia dado um jeito no estomago com uma vomitada de leve só pra acabar com o enjôo. Z. queria ir pra casa. Então B. olha por todo o estacionamento e me pergunta “eu quero saber quem foi o louco que estacionou o carro ali”, e apertou o botão que dispara o alarme. Foi ele, claro. O seu lema é: “sempre estacionar onde as pessoas digam: caralho, não dá pra botar o carro naquele lugar”.

O carro estava loucamente inclinado numa descida com areia fofa de duna. O veículo estava com os pneus prestes a atolar, isso se não desabasse antes. B. estava bêbado, mas ninguém pode com ele quando ele está ao volante. B. e o Ford Ka negro dele quando se juntam se tornam praticamente uma coisa só. Ele sente o carro. Passa a marcha, vai pisando no acelerador ao poucos. “Estão escutando? É o som do motor”, diz pra gente. Ele não toca no volante. Apenas vai pisando no acelerador. O carro vai subindo a ladeira de ré. Em câmera lenta o carro sobe sozinho, sem cantar pneu, sem atolar, sem merda nenhuma, sem que B. tocasse uma única vez no volante. Aí ele dá meia volta com o carro e pisa fundo. Antes de chegar ao asfalto da rodovia rota do sol ele dá dois cavalos-de-pau no barro como se fosse a assinatura dele. “Eu dirijo melhor bêbado”.

Amanhecia e a gente seguia pela rota do sol sem destino. Jorge Bem Jor no volume máximo. A gente cantava curtindo o álcool no sangue. Pium ficava para trás, depois Pirangi e seu maior cajueiro do mundo. Depois Búzios. B. acelerava. Algumas lombadas não eram vistas a tempo e por isso vez por outra o carro saltava com a gente dentro. Isso despertava Z. do seu sono. Em cada praia o sol subia cada vez mais escondido atrás das nuvens. Queríamos chegar num ponto onde desse para contemplar a manhã de forma privilegiada. B. dá mais um cavalo-de-pau e pára a beira de um precipício. Estávamos na beira do mirante dos golfinhos, em Tabatinga. Vista linda! Lá embaixo, a 30 metros de altura, a maré cheia batia nas rochas. Para B. não bastava. “Tá bom, vamos voltar para o carro”, disse.

Seguimos em frente de novo. B. ñ cansava. Dirigia firme. Antes de seguir para a praia de Barreta, B. pegou uma estrada de barro e deu o aviso. “Z., acorda e põe o cinto”, Z. estava cochilando no banco de trás. B. seguia aumentando a velocidade. Os declives da estrada de barro faziam o carro dar pequenos saltos. B. começou a dar seguidas derrapadas propositadamente para se divertir. “Com emoção!”. Chegou num pequeno vilarejo, no distrito de Timbó, no município de Nísia Floresta. Não havia movimento algum. Todos dormiam. B. parou o Ford Ka em frente a igrejinha e saiu do carro. Olhou para uma torre de telefonia e resolveu subir. Eu e o Z. achamos loucura, pois a torre era muita alta e não confiávamos que B. conseguiria subir tantos degraus naquele estado de pós-embriaguez. Quando chegou lá no alto ele acenou para a gente. B. é um maluco! Alguns moradores começavam a despertar e como éramos forasteiros fazendo arruaça em frente a igreja, resolvemos partir, dessa vez em direção de casa.

Nada mais tirava o sono de Z. no banco de trás. A rota do sol já começa a ficar movimentada. Eu ainda estava aceso. B. estava ao volante. Ele não sabia que tomei ácido. B. só bebeu durante a noite. Agora ele estava cansado. Muito cansado. Eu reparava na estrada, olhava a paisagem pela janela, curtia o restante do efeito do ácido. Lembrei que passei a semana inteira entre goles de cerveja e baseados. Estava satisfeito. Por isso não reparava que B. começava a dormir ao volante. Só percebi quando o carro se aproximou do meio-fio. Ele acordou no susto. Seus olhos estavam semicerrados, ele precisava dormir. Tentou passar o volante pra mim, mas eu não sabia dirigir. Z. sabia, mas estava pior que ele. O jeito foi seguir em frente assim mesmo. Ele pediu para que eu não parasse de conversar com ele e que o macete era andar devagar. Deu certo. As 7h em ponto eu estava em casa. Minha sobrinha de um ano e 8 meses tomava uma mamadeira na sala enquanto assistia desenho. Fui para o quarto. Troquei de roupa. Me olhei no espelho. Analisei o meu estado. Não sentia fome, não sentia sono. Lavei o rosto. Fui para a cama e puxei da estante o Corpo Presente para ler. Capítulos curtos, frases curtas, poucos personagens. Cenários de uma Copacabana ambígua, sedutora e suja. Um texto meio Bukowski, escatológico, mas uma história de amor. Uma paixão. Uma Carmen que parece mais de uma. Sexo, drogas, noitadas, uma mãe que se masturba enquanto amamenta um bebê. Eu estava sem sono. Seguia com o livro em alta velocidade. Pausei apenas para uma ligeira punheta, para descarregar as energias. Voltei para o livro. Meu irmão chega de viagem e entra exausto no quarto. Olho de relance e ele está com a cabeça completamente raspada. Eu costumava raspar a cabeça. Ele veio de Petrolina, Pernambuco. Havia participado de um campeonato regional de basquete. Foi campeão. Perguntou “e aí otário?”. Respondi sem tirar os olhos do livro que estava tudo tranqüilo. Era domingo. Eu terminara o livro. Em fim iria dormir.


...Fim.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sábado eu fui pro castelo [parte I]

Texto feito num embalo só. Sem pausas, de estômago vazio. Apenas com uma caneca de café pela metade, no dia 19 de outubro de 2008

Eu terminei a noite com Corpo Presente, livro de estréia de João Paulo Cuenca, apesar de que não era mais noite, pois às sete da manhã já é dia. Eu não conseguia fechar os olhos, não dava. Olhei pro livro na estante e o li numa levada só. Muito antes do livro, porém, antes até de acabar a festa, eu descia do ônibus.

Um cara no ônibus havia dito que bastava seguir em frente que chegaríamos ao tal Castelo Pub. Na metade do caminho eu chego pro Z. e abro a carteira. “Tá vendo esse pedacinho de papel aqui. É isso que é ácido”. Peguei a metade de um e mandei pra dentro da boca. Deixei sob a língua para minutos antes de entrar no tal Castelo Pub engolir.

A festa rolava a mil dentro do tal Castelo Pub. Cada vez mais gente chegava e logo o ambiente ficaria pequeno para tanta euforia.

Fui com o Z. sacar melhor o local. Desci num quase labirinto de escadas que levava até uma espécie de masmorra. O local era claustrofóbico. Em um compartimento havia uma tumba com uma galera conversando ao redor. Aquele pequeno espaço era insuportável. Não sei ao certo, mas fiquei com a impressão de que alguém cagou na tumba, tamanho era o fedor que por ali circulava. Na espécie de masmorra, um pequeno cômodo subterrâneo do tal Castelo Pub, uma galera se amontoava para curtir o som do Barbiekil.

Cheguei no bar e perguntei pelas bebidas que tinha. O balconista não mencionou nenhum nome de cachaça. Eu gosto de cachaça. Confesso que tenho um carinho especial por essa bebida genuinamente brasileira. É uma espécie de frescura de raiz cultural, um patriotismo na hora de escolher a birita. Mas não tinha cachaça e eu aceitei uma dose de vodka com refrigerante e bebi rápido.

O ácido fazia efeito e eu não parava de mandar um baseado atrás do outro. Queria explodir. Rolou os Bonnies na noite e eu gosto do som da banda. Fiquei sacando os caras tocarem por um tempo. Havia muitos machos perto do palco achei melhor dar uma circulada por outro lugar.

Z. demonstrava cansaço. Talvez apenas quisesse a sua garota por perto. Gastei meus últimos trocados com uma cerveja.

Começava a amanhecer e eu não sentia um pingo de sono. A banda parou de tocar porque o combinado era tocar até o amanhecer. A galera queria mais.

Eu tentava me lembrar de ontem, sexta-feira, dia 17. Foi por volta das 4h que eu adormeci sentado, numa lanchonete, com um sanduíche de bacon na mão. Se não fosse por um amigo eu só acordaria pela manhã. Despertei e andei por um tortuoso caminho até poder deitar em paz. Não tenho certeza se o cansaço foi devido ao expediente do estágio, quando na hora do almoço eu resolvi encher a cara com os colegas apreciando pela primeira vez uma carne de cordeiro na brasa, ou se foi por causa de mais cervejas e um baseado com haxixi durante o som de uma banda que tocava chorinho na parte da noite. O certo é que eu literalmente fiquei destruído.

Mas pela manhã de sábado eu já estava prontamente refeito às 10h quando reparei que havia dormido com o resto do sanduíche de bacon no bolso. Foi o meu café-da-manhã. Às 10 e meia eu estava sentado na privada defecando os restos do que sobrou do meu intestino grosso. Fiquei até as 13h ouvindo vinil na casa de um amigo. Ele mostrava todos os recursos do seu fabuloso Philips tocador de LPs. Havia um botão para que a música saísse com o instrumental evidenciado. É massa demais! Eu conheci John Lennon na casa desse meu amigo. Antes eu só conhecia “Imagine”, mas ai o meu amigo foi colocando pra tocar um disco atrás do outro do Lennon. Realmente ele fez um trabalho solo magistral.

Antes de almoçar meti brasa num baseado de leve só para abrir o apetite. Senti vontade de ir à praia. Ponta Negra servia. Ia deixar para ir depois de comer. Paguei sete e cinqüenta pelo almoço e um suco e um cafezinho preto. Estava bem servido. Zanzei pelo bairro de candelária para morrer na bodeguita do Seu Jean. Tomei umas 4 cervas por lá e parti sozinho para ponta negra ver o sol se pôr. Restavam alguns poucos surfistas que tentavam pegar onda na praia quase escura. Fumei mais um. Cochilei na areia por uns 10 minutos e vi que era hora de voltar pra casa.

Voltei. Atravessei a casa sem passar pela cozinha, não sentia fome. Precisava apenas de uma pequena dormida. O que não foi possível, pois fui interrompido por uma ligação da minha amiga L. que dizia ter acabado de tomar o ácido e que não sentia absolutamente nada. Fiquei puto. O fela-da-puta do trafica me vendeu só os papeis, pensei. Depois de uma hora ela liga de novo. Já imaginava a merda, R$ 40 perdidos. Mas ela me liga com uma voz diferente, gritando. “Raaaaaaaaaaaaaamon, bóoooooooe, tô muito doida! O negócio é bom mesmo. Eu e V estamos muito loucos”. É, eu não havia sido enganado e a parada era da boa mesmo, bendito trafica!


Continua...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Fim de Semana em Chamas - Vídeos

Saquem alguns vídeos que fizemos lá em Barra de Punaú.



Eu pagando de repórter de programa de viagem.



Aqui eu pareço mais um artista de circo, apresentando o meu magnífico número de descer morros.



Beto aprendendo a difícil técnica de rolar em morro. Com o tempo ele pega o jeito.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Fim de Semana em Chamas

De início vou comentar o fim. Vamos aos resultados. Um corpo em chamas de tanto sol, mais de 14 km de caminhada com mochila, barraca, colchonete e bugigangas nas costas, litros de bebidas pelo caminho, uma lagoa, um rio, uma praia, dunas e pegue estrada.

Era pra a turma do Blog Catorze estar toda presente. Seria um acampamento catorzeano com tudo que tem de direito, no entanto, por motivos extraterrenos, apenas quatro integrantes se embrenharam numa empreitada que levaria até um dos lugares mais lindos do litoral norteriograndense, como apontam várias revistas de turismo. Junte aos quatro integrantes do Catorze, duas presenças ilustres, Daguinha e Roberto, um casal desenrolado que em muito contribuiu na viagem.

A turma foi incompleta, mas repleta de vontade, de caminhar, pelo menos de início, quando optamos por descer na Vila de Punaú, crentes que a paradisíaca praia estava ali, a 4 km. Ledo engano, pra não dizer leso. Então pegue caminhar com todas as bagagens nas costas por um caminho sem fim. Sem fim porque a cada indivíduo que aparecia no caminho a gente perguntava pela praia e as respostas eram as mais desanimadoras possíveis. “Rapaz, Punaú não tem praia não”. Macacada, imagine só você ouvindo isso. É de querer voltar pra casa. Mas tudo bem, fomos andando e juntando as informações até chegar a uma estrada de barro que acreditamos levar definitivamente a praia.

Muitas horas de caminhada depois, surge um carro em sentido contrário ao nosso. Ôpa, sai uma Caroninha pra praia aí?. Não!. Mas o motorista nos aliviou um pouco o cansaço avisando que um pouco mais a frente a gente chegaria a uma lagoa. Dizia o homem tratar-se de um lugar legal, com tudo, tudo pra gente. Pegue acelerar os passos.

Lagoa do Cutia. Nada de tudo, mas muito de relaxante. Uma lagoa azul muito da boa só esperando por nós. Ainda era manhã, quase dez, o sol ainda estava prestes a nos castigar. Corremos pra água e só saímos quando os dedos estavam prestes a desaparecer de tanto enrugarem. Havia um restaurante de um homem gente finíssima. O cara nos serviu umas cervejinhas massa pra nos refrescar do calor e depois nos serviu um PF de encher o bucho.

No entanto, nós tínhamos um fim. A lagoa era apenas o meio do caminho. O humilde homem do restaurante fez um preço camarada para nos levar ao nosso destino. Ele era um cara sem cerimônia, disposto a ajudar, gostou da nossa presença. Fomos todos no seu carro até o tal lugar paradisíaco. Antes, porém, ele foi até Zumbi mostrar um pouco do local, e principalmente a sua simples casa. Depois nos levou ao local onde pretendíamos acampar.

Ancoramos o barco e a tripulação catorzeana enfim pode curtir sem preocupações. Barracas prontas, hora de cair no rio. Estávamos em Barra de Punaú, lugar que separa as praias de Pititinga e Zumbi, lugar em que o Rio Punaú deságua no mar depois de banhar uma duna de areias branquíssimas que comporta coqueirais enormes. Tudo muito lindo mesmo.

Depois do rio, por que não umas ondas no mar? Lá fomos nós então. O exato ponto onde o rio e o mar se encontram. Um pouco de argila, água doce, água salgada. Tudo muito massa. O sol. Eu sei que existe protetor solar, mas às vezes você está disposto a cometer burradas. Foi o que aconteceu. Tostei na frigideira legal. E havia muito pela frente.

Anoiteceu. Caminhada de meia hora até a cidadezinha de Zumbi pra jantar. Um energético pra não deixar colar os olhos. Volta-se para o local das barracas, toma-se um banho, tirar o lodo do corpo às vezes é bom. Puxa-se de uma mochila um litro de cana do mal, de outra, um conhaque idem, pra acompanhar, umas tangerinas, chocolate, produtos elma chips e muito papo.

Conversa vai, conversa vem, foi-se a birita todinha. Uns foram se deitar, outros começar a noite. Todo mundo muito doido, então vamos nos embrenhar entre as dunas. Loucura total de 4 cabeças insanas, catorzeanas, cheias de cana. Pra tirar areia, cai-se no rio e por lá se fica. A noite caminha e a gente entende que é a hora de dar um descanso, enganar um pouco o corpo, a pele. Dorme-se.

Acorda-se. É muito cedo ainda. Uns caminham novamente até Zumbi pra tomar um cafezinho maroto. Outros preferem dar um tempo às pernas. Mas logo todos se juntam novamente e toma-se um banho de rio. O sol então decide terminar de queimar o que faltava. Novamente, eu sei, existe protetor solar, mas sabe como é, burradas acontecem, não é pra qualquer um.

Hora do almoço. Desarma-se as barracas, arruma-se tudo, zarpa-se a embarcação catorzeana adivinhem pra onde... Zumbi. Então pegue mais caminhada, dessa vez com a companhia de um sol de meio dia. Assamos na grelha legal. Uns pareciam camarão, outros uma picanha bem passada.

Zumbi. Um quiosquinho à beira mar. Muitas cervejas. Uma trilha sonora de batucada inexoravelmente fora de qualquer sintonia, o alegre e divertido batuque de bêbados de praia. Um peixe delicioso no almoço. Mais cervas enquanto o busão não vem. Chegou! É, galera... hora de irmos. No caminho, pouco papo. Apenas lembranças, sonhos. Todo mundo muito cansado. Satisfeito. Porra, amanhã é segunda! É, nem me fale, ter que voltar ao mundo real, a velha rotina de casa-trabalho-universidade-casa. Solo natalense, a festa acabou, sobra-se a nostalgia nos dias de chuva.



P.S: Eu continuo no ritmo de um acampamento todo mês. Já foram três com esse. Cada vez uma galera nova. Uns se juntam, outros dão um tempo. A essa galera de agora eu gostaria de dizer que gostei muito da companhia. Muita diversão e histórias. Um abraço especial à Daguinha e Roberto, pais de Beto que esteve presente ao lado das também catorzeanas Rayanne e Ceci. Completa a trupe, este vagabundo tostado que neste fracassado blog derrama o seu prazer.


Pra quem ainda não conhece, visitem: catorzeblog.wordpress.com

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Poderia ter ficado em casa, mas assim eu não teria o que contar


A noite parecia estranha quando Beto e eu resolvemos vagar sem rumo pela cidade. Esperamos na parada mais próxima pelo primeiro ônibus que passasse. Veio um da linha 43 com destino ao bairro do alecrim. Subimos nele.

O plano era escolher um bar ao léu. Observamos pela janela uma Bernardo Vieira vazia, silenciosa, apenas um bar de esquina, daqueles bem das antigas. Descemos e fomos ver qual era a do barzinho.

Bar do Encontro era o nome do local. Poucos aventureiros da meia noite se espalhavam pelas mesas, beliscando aperitivos e bebericando. Alguns casais. Uns taxistas batendo papo. Pedi uma dose de conhaque barato, Beto foi de Martini. De petisco uma deliciosa porção de coração de boi frito com macaxeira cozida ao ponto. Isso porque não estavam mais servindo a porção de rins que era o que desejávamos.

Filosofamos sobre as mulheres, esses seres maravilhosos, apetitosos, indecifráveis, sensuais e doces. Papo de mesa de bar mesmo. Mas sempre há espaço para devaneios. Planejamos fazer, enfim, uma reportagem em quadrinhos. Coisa que tínhamos a certeza de fazer quase todo mês. Mas que no fim das contas sempre surgia um serviço atrasado no emprego, uma prova inesperada na faculdade, uma ressaca de dois dias que não nos permitia tocar pra frente o projeto. Espero que dessa vez saia mesmo.

Era hora de zarpar. Dar uma caminhada quilométrica pela Bernardo Vieira em direção à Prudente de Morais. Na calada da noite as ruas, por mais bonitas que sejam, são tenebrosas. Não sei se o que dá mais medo na madrugada é ela estar sem uma viva alma ou com apenas um pobre homem parado na penumbra. O interessante é que eu sou um indivíduo que posso dizer “Natal não é uma cidade perigosa”.

Se tem um doido que vaga pela madrugada bêbado e caindo pelo chão, inofensivo, frágil, fácil de ser roubado e morto, sou eu. Foram tantas as andanças na calada da noite e nada de ruim me aconteceu. Nem mesmo um gato dos diabos pulou sobre o meu caminho para me cagar as calças de susto. Nada. Nunca fui assaltado. Pra mim essa Natal em que vivo é um paraíso sem violência. Pelo menos pra mim. E sei que falando isso vai aparecer uma ruma de vagabundo pra me roubar agora. É a conseqüência de se cantar felicidade. É assim. Um dia eu não chego em casa. Já estou vendo.

Mas seguimos andando rumo a Prudente de Morais. Fizemos um pitstop na conveniência de um posto. Beto sugeriu bebermos iogurte com cana. Achei estranho. Disse que cana com todinho ainda ia, mas com iogurte não dava. Ficamos sem se decidir, sem beber. “Vamos para um bar, é melhor”. Fomos embora novamente. Mais andanças. Dessa vez descendo a Prudente de Morais. Essa é a sina de não ter carro no fim de semana.

Nenhum bar pelo caminho. Bar do ku, do careca, do caralho a quatro e nada. Tudo fechado em plena madrugada do sábado. Encontramos um barzinho escondido bastante movimentado. Fomos dar uma sacada e isso sim foi um assalto quando olhamos os preços do cardápio. Caímos fora.

Continuamos descendo a avenida. Um outro posto de gasolina. Uma nova conveniência. Biritamos por lá mesmo. Mas a falta de movimento, pelo menos de um garçom para trazer as cervas, começou a nos morgar e tivemos de continuar descendo a avenida. Um trabalhador da madrugada daqueles que pedala infinitas distâncias para vender salgados com refresco de goiaba em sua bicicleta singela surgiu em nosso caminho, lanchamos.

Continuamos vagando sem rumo por uma Prudente de Morais morta. Acabamos andando tanto para morrer no bar mais perto de casa. Candel Bar, já no bairro de candelária. Filé de suíno com fritas, duas dose de meladinha e uma garrafa de soda pra limpar o estrago da noite antes de ir embora quando o sol já raiava no leste.

Foram tantos quilômetros que fico me perguntando se a gente saiu pra caminhar ou pra beber. Acho que foi mais uma saída saudável pela madrugada. Perder umas calorias mesmo. Coisa de atleta.

sábado, 4 de outubro de 2008

PAPAI GONZO (Reportagem publicada na 1ª edição impressa do FUDEUS)

Ouço muito estudante Brasil afora dizendo que Jornalismo Gonzo é isso e aquilo... Vou ser sincero, pra ser GONZO tem que ser Hunter Thompson. Fora isso, sua reportagem pode apenas ser mais um texto jornalístico. Gonzo, jamais.

Nascido no pior dos países, os EUA, em 1937, em Louisville, Hunter Stockton Thompson se revelou ainda criança um fora-da-lei. Seu comportamento problemático fez com que agentes do FBI batessem em sua casa para investigar um caso de vandalismo praticado por crianças do bairro, que certamente nosso Hunter, com seus 9 anos de idade, estava metido.

Ele se safou. Soube jogar o perverso jogo dos policiais. Sabia que não havia provas concretas contra ele, e que todo aquele papo furado de que ele iria pegar uma pena de 5 anos na prisão era puro terrorismo dos agentes.

Seu envolvimento com a polícia não parou por aí. Durante toda sua vida ele teve problemas com a Justiça e seus mecanismos de repressão. Era um verdadeiro delinqüente juvenil. Roubava, andava armado, bebia sem ter idade, fumava, arrumava confusão na rua. Para se ter uma idéia, ele passou a noite de sua formatura do colégio na cadeia. E prestes há completar 18 anos, foi condenado a 60 dias de prisão por ser reincidente. Para abrandar a pena, ele aceitou a sugestão do juiz e se alistou na Força Aérea.

Nesta instituição ele conheceu o jornalismo e isto o livrou a cara. Nosso Hunter passou a ser o editor de esporte do jornal da base. O antigo editor, um sargento, fora mandado para prisão por embriaguez após mijar na parede de um prédio, “havia sido a terceira vez e não iriam deixar passar”, comentou Hunter a uma entrevista.

Com a proposta de ser o novo editor de esportes, Hunter se meteu na biblioteca para aprender sobre jornalismo. Encontrou três livros sobre o assunto. “... aprendi sobre manchetes e lide: quem, quando, o que, onde, esse tipo de coisa”.

O jornalismo foi seu passaporte para alegria. Ele passou a viver como repórter free-lance, chegando a colaborar em revistas do porte da Rolling Stone, Time, Esquire, Playboy, foi colunista da ESPN, correspondente internacional da National Observer, tendo passado por diversos países da América Latina, dentre eles, o Brasil. Foi repórter investigativo, escreveu sobre política, esporte, festivais, gangues, contracultura, com certeza ele mostrou ao povo estadunidense as entranhas de seu próprio país. É um dos expoentes do Novo Jornalismo. É o criador da maneira Gonzo de se fazer reportagem. É o principal personagem dos mais de 10 livros que publicou.

Desde o começo de sua Carrera, o Dr. Gonzo, como era chamado, realizava um tipo de jornalismo diferenciado, mais detalhado, particular, subjetivo. Aceitava pautas sobre os mais variados fatos. O que lhe foi bom, pois pôde se meter nas diversas camadas da sociedade norte-americana.

Porém seu comportamento desordeiro complicava sua relação com os editores das revistas e jornais por onde passou. Não era raro ele aparecer embriagado nas redações, ou não entregar as reportagens no prazo correto. Foi demitido e pediu demissão em muitos veículos por onde passou.Hunter começou a repercutir na sociedade americana, em 1967, ao lançar seu primeiro livro, e que veio a se tornar um famoso best-seller, cujo título no Brasil é “Hell’s Angels – Medo e Delírio Sobre Duas Rodas”. Trata-se de um livro-reportagem que mostra minuciosamente a forma como vivia uma famosa gangue de motoqueiros arruaceiros autodenominados de Hell’s Angels.

O Dr. Gonzo fez um trabalho de verdadeiro antropólogo ao se infiltrar e conviver durante 18 meses no interior dessa gangue. Ele não apenas mostrou o lado fora-da-lei dos motoqueiros, como também expôs uma visão crítica e ácida sobre a direção que a sociedade estadunidense estava seguindo.

Foi em 1971 que o nosso Hunter imortalizou o termo Gonzo. Nesse ano ele lançou o seu mais famoso livro, “Medo e Delírio em Las Vegas”. No livro ele pratica o Jornalismo Gonzo, relatando de forma profunda, sociológica e alucinada, o mundo dos viciados em jogo, drogas e cassino.

Marco da contracultura, o livro fez enorme sucesso entre os jovens norte-americanos daquele período. Misturando realidade e ficção, jornalismo e literatura, Thompson criou um novo gênero de reportagem ao se armar com todos os tipos de drogas e partir para Las Vegas em busca de uma alucinada experiência do sonho americano.

Hunter chamou a atenção do povo estadunidense com seus livros, reportagens e maneira de viver. Sempre cheio de drogas, álcool, mulheres, armas, nosso Dr. Gonzo se tornou um produto da sociedade norte-americana, a sociedade do espetáculo. Tanto para a contracultura, quanto para o jornalismo, Thompson deixou a sua contribuição. Ele influenciou muita gente da década de 1970 com suas bizarrices. Hoje seu nome é lembrado em monografias e teses sobre jornalismo, sobretudo neste tempo em que o jornalismo literário fica cada vez mais em evidência em revistas, livros e em blogs.

Há recentes 3 anos, em 20 de fevereiro de 2005, Hunter estava assistindo TV, sentado no sofá de sua casa em Woody Creek, nas montanhas do Colorado, quando pegou o telefone e ligou para sua esposa Anita Thompson, que na hora da ligação, às 17h30, exercitava-se numa academia de ginástica. O papo entre os dois não foi nada de estrema importância e urgência, apenas uma conversa banal para romper a solidão de um homem que nos seus 67 anos, quase todos vividos com intensa euforia, dedicava seu tempo à produção de colunas sobre futebol americano para a ESPN. A conversa transcorria sossegada quando, inesperadamente, nosso Hunter apoiou o fone próximo ao aparelho e puxou o gatilho de sua arma, metendo bala na cabeça. O tiro de seu revólver calibre 45 entrou pela boca e estourou seus miolos.

Quatro dias antes, ele havia escrito um bilhete para sua mulher em que revelava estar saturado. “Chega de jogos. Chega de bombas. Chega de andar. Acabou a diversão. A natação acabou. 67. Isto são 17 anos depois dos 50. Dezessete a mais do que eu precisava ou queria. Chatice. Sempre fui falastrão. Acabou a diversão - para todos. 67. Você está ficando mesquinho. Aja, seu velhaco. Relaxe – isto não vai doer”.

E assim o nosso Doutor foi mandado para os ares em forma de cinzas e pólvora colorida por um estrondoso canhão, em agosto de 2005. Foi uma cerimônia post-mortem com 350 convidados, dentre eles o ator Johnny Depp, grande amigo de Hunter, que chegou a interpretá-lo nos cinemas. O próprio Depp bancou a celebração, que anos atrás foi idealizada pelo nosso Thompson e seu amigo o ilustrador Ralph Steadman (responsável pelas ilustrações lisérgicas em Medo e Delírio em Las Vegas).

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

FANZINE LADO [R] BOTA PRA FODER! SAI A 8 ª EDIÇÃO

Há uma galera muito doida e talentosa em Natal que vem produzindo um Fanzine muito do fodão! Atualmente são quatro cabeças errantes que fazem o LADO [R], fanzine que começou em meados de 2005, nos corredores da UFRN, fotocopiado mesmo e que hoje é auto-intitulado de megazine por causa de sua tiragem monstra de 2 mil exemplares por edição, algo raríssimo [se não único] nesse gênero de imprensa alternativa.

Pois bem, o LADO [R] está na 8ª edição e o lançamento acontece nesta sexta-feira, dia 03 de outubro, no Centro Cultural DoSol, com muito rock’n roll do bom, que deve começar a rolar lá pelas 22h.

É a terceira vez que os errantes vêm com uma festa de lançamento, e a gente, claro, agradece, pois as festas são duca. Diferente das edições anteriores, a festa de sexta não será gratuita. E sobre isso Leandro Menezes, um dos errantes, justifica.

“Acontece que antes nós éramos mais descompromissados com a questão monetária da parada, se é que você me entende. A gente tirava do bolso e pouco se importava se não tivesse a grana de volta. Tudo pelo amor a coisa toda! O tempo passou e agora precisamos pagar nossas contas, hehehe... Parece brincadeira, mas é isso mesmo. Mas o zine continua sendo gratuito, quanto a isso, ainda não pensamos em mudar”.

É, macacada, o zine errante é de Grátis mesmo. Desde a primeira edição fotocopiada até a atual que é de excelente material gráfico, sempre levando aos leitores um conteúdo irreverente e bem acabado, com um estilo próprio, contracultural e diversificado. Pode-se dizer que o zine faz um jornalismo cultural experimental, não repetindo o releasemania que se vê de ruma pela imprensa desta esquina do Brasil.

Os outros errantes que completam a trupe atualmente são Renata Marques, Rafael F. e Dimetrius Ferreira. Eles não deixam a peteca cair nem a pau. Sobre a motivação de continuar com algo que não dá retorno financeiro, Leandro responde.

“A motivação sempre foi a de fazer uma publicação a qual nós gostaríamos de ler, que tivesse nossa cara, nossa pegada. O prazer de fazer está em todo o processo, desde discutir as pautas, colher os dados, escrever... isso sempre é feito de forma espontânea, quando nos encontramos pelos corredores da UFRN, ou seja, lá onde for. Depois que o zine fica pronto, que entregamos na mão dos chegados e vemos um sorriso de orelha a orelha, é foda demais! Sem contar nas pessoas e bandas que acabamos conhecendo... Tudo isso é um aprendizado enorme pra gente. Não pensamos em parar tão cedo”.

Na foto, Renata e Rafael com a 8ª edição impressa.

São oito edições em três anos de LADO [R]. Muita experiência foi adquirida e muitas histórias foram acontecendo. Sobre uma delas Leandro comenta.

“Uma vez a gente foi entrevistar o grande Falves Silva, poeta processo que há mais de quarenta anos enche nossos olhos com suas poesias visuais. Marcamos com ele no Beco da Lama. Sentamos numa mesa e, enquanto a gente se conhecia direito, aproveitamos para tomar umas cervejinhas. Copo enche, copo seca e as idéias começaram a ficar confusas... Só sei que a entrevista, aparentemente, tinha ficado do caralho! Quando fomos ouvir como tinha ficado, no outro dia, começamos a rir das presepadas que sairam. Tanto nós, quanto o Falves estavam bebaços. Mesmo assim, sem sombra de dúvidas, foi uma das melhores entrevistas que já fizemos até hoje!”

Então está aí, macacada, LADO [R], uma publicação independente, feito por cabeças engajadas que lança mais uma edição, levando para os seus leitores, além de bons textos, ótimas festas de lançamento, com o bom e velho rock’n roll e a aquela cerva gelada que não pode faltar.

Sexta-feira, 03 de outubro, às 22h, no Centro Cultural DoSol, com o som de Calistoga [LANÇANDO CD], Sweet Fanny Adams [PE] e Brand New Hate [RN], por 5 contos. Acho que vale a pena. Eu vou.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Marcelo Masagão vem à Natal divulgar Festival do Minuto

Macacada, estão abertas até 15 de novembro, no site www.festivaldominuto.com.br, as inscrições de vídeos para o festival do minuto. O tema da vez é “Ser Nordestino” e conta com o patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

Para participar, basta inscrever-se no site do festival e fazer o upload de seu vídeo, que deve ter 60 segundos de criatividade. Estão em jogo três prêmios de R$ 1 mil e outro para o grande vencedor no valor de R$ 3 mil. A cerimônia de premiação dos melhores vídeos do tema “Ser Nordestino” será realizada no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza, no dia 4 de dezembro. A escolha do melhor trabalho é feita por uma equipe de curadores organizados em três níveis hierárquicos.

Para divulgar o festival, o cineasta e criador da iniciativa Marcelo Masagão estará em Natal no dia 02 de outubro para falar sobre o formato do festival do minuto e sobre o novo tema “Ser Nordestino”. O encontro será às 15h no Labcom/UFRN.

O festival do minuto existe desde 1991 e foi o primeiro evento do gênero criado no mundo. Em 2007 ele passou a ser de caráter permante e online. A idéia já inspirou a criação de festivais semelhantes em mais de 50 países, com a objetivo de criar cada vez mais oportunidades e espaços para o talento de amadores e profissionais, instigando e exercitando a criatividade de criadores e consumidores de produtos audiovisuais em até 60 segundos.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

É cada uma! Mas valeu pela sacada!

Macacada, Melanie Coles é o nome da garota. Artista plástica canadense de 22 anos, ela mora em Vancouver e meses atrás apresentou seu projeto de conclusão de curso. Melanie se deu muito bem e conseguiu o bacharelado de Artes e Mídia na Universidade Emily Carr.

Quando criança, costumava se divertir com os livros do ilustrador britânico Martin Handford. Eram livros que continham um tipo de jogo que virou febre a partir de 1987, quando foi lançado o primeiro volume. Trata-se de Onde está Wally?, jogo que consiste em achar um personagem caracterizado com uma camisa listrada em vermelho e branco, calça jeans, um gorro e uma bengala. Os livros com Wally (chamado de Waldo nos EUA e Canadá) chegaram a permanecer dois anos na lista de best-sellers do The New York Times e mais de 40 milhões de exemplares foram vendidos em todo o mundo.

No início do ano, quando cursava uma disciplina de desenvolvimento de internet e interatividade, Melanie se lembrou que no ano anterior havia pensado em fazer algo com base na imagem de Wally. Para ela, a história do personagem concerne elementos de humor, interatividade e diversão, aspectos com os quais queria trabalhar. Com isso, bolou um projeto audacioso que, entre outras coisas, consistia na criação de um blog para mostrar o passo a passo de tudo que seria feito.

Depois, com recursos na ordem de US $ 1.500 dólares canadenses, ela construiu um Wally de 16 metros de comprimento, em vinil perfeitamente pintado. Melanie levou dois dias para terminar a pintura do personagem e, além disso, precisou da ajuda de amigos para encher cem sacos de areia que serviram para manter o boneco deitado sobre um telhado da cidade.

Pronto. O trabalho estava praticamente feito. Restava convidar internautas a um jogo mundial: achar o Wally através do novo sucesso da tecnologia, o serviço de imagens de satélite do Google, o Google Earth.

Em pouco tempo a idéia de Melanie correu o mundo e ela logo virou notícia nos mais diversos veículos no mundo todo. Seu blog Where On Earth Is Waldo? passou a ser visitado por milhares de pessoas por dia. A repercussão foi tamanha que acabou estragando a brincadeira. Uma emissora de TV local sobrevoou de helicóptero a cidade e encontrou o Wally.

Segundo Melanie, ela entrou em contato com o Google nas fases iniciais do seu projeto e disseram-lhe que eles realmente gostaram da idéia, mas que não podiam lhe dar informações privilegiadas sobre a data de atualização das suas imagens por satélite de Vancouver. Com as datas de atualização ela poderia se programar melhor e expandir a idéia.

De diversos países surgiram pessoas com interesse de levar a iniciativa pra frente, de tornar real um jogo que inicialmente não saía das páginas de desenhos bem detalhados pelas mãos de Martin Handford.

PS¹: Para procurar o Wally gigante é necessário ter instalado o Google Earth no PC. O programa pode ser baixado gratuitamente no site do Google.

PS²: Quem quiser praticar um pouco pode clicar nos desenhos e voltar a ser criança.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O Monza

Galera, o Brasil me surprende. Semana passada, em Passo Fundo, interior do Rio Grande do Sul, um carro estacionado em frente a um bar foi roubado durante a madrugada. Até aí tudo normal. Carros são roubado aos montes em todo canto do país. O que acontece é que 15 minutos depois a Brigada Militar recebeu uma ligação pro 190.

“Ô, meu amigo, é o seguinte. Vou ser bem sincero pra ti, tá. Eu roubei um carro. Agora. Eu peguei o carro e tinha uma criança dentro. Cara, eu não vi, entendeu? (...) Então tu manda uma viatura lá e manda o filho da puta do pai dele pegar ele e levar pra casa. O piazinho, tá?”

Depois de informado o lugar, o soldado quis saber qual era o carro.

“É um Monza. Tem um piazinho dormindo no banco de trás. (...) E diz pro filho da puta do pai dele que, da próxima vez que eu pegar aquele auto e tiver um piá lá, eu vou matar ele”.

Soldados da Brigada Militar foram ao local e encontraram o Monza com a criança de cinco anos que ainda dormia. Eles o acordaram e seguiram até o bar onde se encontravam a mãe, de 22 anos, e o padrasto, de 46 anos.

Os pais responderão a processo por abandono de incapaz, na Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente. A pena para este tipo de delito varia de um a três anos de reclusão.

A delegada
Cláudia Crusius não pretende pedir a prisão do LADRÃO.

"Se eu descobrir quem é, não vou pedir prisão. Assim como ele agiu de bom senso com a criança, eu também vou agir de bom senso com ele (...) Ele me faz manter a esperança na humanidade".

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

TAMBABA (parte III) - Últimos momentos

Pra manter a ordem, vários policiais passam fazendo rondas na praia. No começo intimida ver os caras no traje oficial andando no meio dos peladões, mas acabei me acostumando. Qualquer ato ofensivo, qualquer problema que interrompa a ordem no local pode ser denunciado aos tiras.

Apesar do respeito, vez por outra aparece alguém pra criar problema. Segundo um naturista com o qual conversei, tem vezes que uns engraçadinhos arranjam umas prostitutas e vem pra Tambaba achando que por ser permitida a nudez, pode se fazer de tudo. “Houve um caso em que veio um grupo de homens embriagados com prostitutas de Recife. Eles chegaram de madrugada e ficaram na praia bebendo mais. Amanheceu e as pessoas que chegavam acabaram se deparando com eles dormindo um por cima do outro, com camisinhas jogadas. Com esses problemas a imagem do naturismo acaba ficando suja”, comentou.

Tem gente que acredita que as praias de NATURISMO são verdadeiros inferninhos. Todo mundo nu, com as coisas balançando e muito entre e sai. Falsas impressões. Para uma praia de NATURISMO funcionar oficialmente é preciso tanta regra que acaba provocando muitas reclamações por parte de quem tem curiosidade de freqüentar. Para se ter idéia, homem só entra acompanhado de uma mulher. E uma mulher que estiver menstruada não pode ficar vestida, tem que utilizar um absorvente interno. E mais, qualquer coçadinha mais demorada nas partes, já pode ser interpretada como masturbação.

Quem vai a Tambaba tem que ir com dinheiro em mãos. Lá não se usa cartões. Eu, pateta que fui, não me liguei nisso e por pouco não fiquei zerado. Tive que tirar um dia para ir à Jacumã, a praia mais próxima que conta com um caixa-eletrônico. Para tanto, acordamos cedo, eu e Priscila, e subimos vestidos até a Arca do Bilú, onde é o ponto de ônibus. Perguntamos a um atendente do restaurante sobre o horário do busão e o cara disse que já havia passado um e o próximo ia chegar por volta de uma hora da tarde. Ainda eram 09h. Ficar esperando até lá não rolava. O cara disse que tinha carro no restaurante e que levava a gente até Jacumã por R$ 15. Muito caro!

O restaurante estava com um banquete de café-da-manhã pronto para servir os hóspedes. Perguntamos para a dona quanto ela fazia um café pra gente e ela fechou por 7 contos para cada. Ficou um bom preço tendo em vista o baita café-da-manhã. Tinha de tudo e bem quentinho e fresco. Frutas, sucos, ovo frito, macaxeira cozida, carne de sol, tapioca e os cambal.

Rangamos bem. Quando ainda digeríamos, chegou um caminhão de lixo com uma turma de garis para dar uma limpada no local. Priscila se virou pra mim e disse: “Ramon, se ligue boy, vá lá arranjar uma carona pra gente”. Pô, carona no caminhão de lixo rola, Priscila? “Rola sim, mermão, vá lá se não a gente vai mofar aqui esperando um ônibus”. Então eu fui e consegui uma carona muita da boa pra gente.

Marinalvo, o motorista, chamou a gente pra ir no banco da frente com ele. Disse que já havia dado carona para outros naturistas e que não tinha problema nenhum em fazer isso, afinal ele tinha que fazer a limpeza na praia duas vezes por dia, uma pela manhã e outra à noite.

Perguntei a ele se alguém famoso veio à praia durante o evento e ele me respondeu que viu a Mulher Samambaia. “Eu fiquei impressionado com ela. Tirava foto com todo mundo, era simpática, não andava com segurança nem nada. Tirou até foto abraçada com os garis”, disse. E ela não ficou pelada não? “Ela veio fazer matéria para o Pânico, começou só de biquíni, depois tirou a roupa. Todo mundo foi bater foto. Ela tem um corpão, mas é aquele negócio, muito cheio de silicone”, comentou. Depois fiquei sabendo que as cicatrizes das cirurgias dela davam pra ver de longe. Mas isso foi comentário das mulheres. Os marmanjos mesmo, só se ligaram no tamanho do pandeiro (Veja algumas fotos) .

Fomos à Jacumã. Retiramos uma grana e aproveitamos para ir à praia. Tomamos banho, caminhamos, conhecemos a orla, almoçamos, sempre enchendo a cara. Tava tudo muito bom, mas eu queria mesmo é ficar pelado, então vimos que estava na hora de voltar pra Tambaba. Antes de ir, passamos num mercadinho e fizemos umas comprinhas para o café-da-manhã do outro dia. Ainda deu pra levar uma cachaçinha da terra. Esperamos o último busão do dia, pegamos e rumamos à Tambaba.

Em Tambaba, já anoitecendo, ficamos sabendo que havia rolado um campeonato de surf naturista. Todo mundo peladão pegando onda. Quem também apareceu por lá foi o Maurício Kubrusly (vestido) fazendo matéria para o Fantástico. As pessoas já se despediam. Muitos iam embora. Era o último dia do congresso. A única festa que ia rolar, batizada de “Adão e Eva”, foi cancela. Não restava mais nada a não ser curtir as últimas músicas que uma banda estava tocando, por sinal, ao lado da nossa barraca.



Os poucos que restaram estavam animados, dançando e conversando muito. Priscila foi desabar de sono na barraca e eu fiquei com a minha long neck de cachaça. Fiquei curtindo o som e vendo a lua surgir lá no horizonte do mar.

Mais tarde, quando o silêncio já reinava e a cachaça estava perto do fim, fui dar uma andada atrás de uma pobre alma para bater um papo. Não encontrava ninguém. Todo mundo nas suas barracas, provavelmente fazendo aquilo (ora, naturista também fode). Foi então que eu vi que o bar do Xexeu estava aberto às 10 da noite. No bar só tinha garotos e garotas adolescentes, todos vestidos. Eles estavam fazendo um churrasquinho. Os filhos do Xexeu deviam estar no meio. Cheguei no balcão e perguntei se ainda estava saindo alguma coisa. “Só batata frita”, um dos garotos respondeu. Massa! Pode preparar aí que eu vou pegar minha grana na barraca e já volto.

Voltei com Priscila e a carteira. Era o último dia e não custava nada se dar ao luxo de gastar uma graninha. Pelados, ficamos numa mesa e detonamos a batata frita com doses de cachaça para aquecer o corpo do vento frio.

Acendi um baurets pra terminar o congresso numa boa. Mal subiu o cheiro, chegou uma galegona na mesa. Com um português de sotaque estrangeiro, ela disse: “huuuum... senti a cheirro te lonrge. Ainda nom tinha visto niquém curtindo a um fumim porr aqui”.

Dividi o baurets com a gringa, em troca de uma conversa. Ela é holandesa. Está há 9 anos no Brasil. Seus pais moram no litoral paulista. Ela não gosta de lá e por isso está numa turnê por todo o litoral do nordeste. Começou lá no Maranhão e veio descendo. Jericuacuara, Canoa Quebrada, Galinhos, São Miguel do Gostoso, Ponta Negra, Pipa, já conhece tudinho. Aproveitou o evento em Tambaba para vir conhecer. Chegou sozinha, peladona, apenas com um mochilão nas costas. E adorou. Achou a praia mais bonita do nordeste até agora. Tanto pela paisagem como pelo NATURISMO.

O baurets ia pelo meio quando chega de repente uma dupla de tiras. Devido ao escuro não deu pra ver os “homi” chegando. Apaguei o bicho no susto mesmo. O cheiro ficou pelo bar. Mas não aconteceu nada não. O garoto no balcão depois veio até mim e disse que os caras não sacaram nada, ou pelo menos fizeram que não viram. Eles vieram só tomar uma dose de rum e seguir com a ronda. A gente podia ficar tranqüilo.

A noite não podia estar mais linda. A lua escolheu o fim do congresso para vim dar um alô. Estava tudo massa! Eu estava de boa e comecei a filosofar sozinho sobre a experiência pela qual me expus.

Lembrei que a castração de partes do nosso corpo foi arbitrária. Que o fato da nudez estar associada à sexualidade é por causa de revistas, filmes, crenças, complexos e obsessões. Que se pensarmos bem, o uso de certas roupas e adereços é que compõe, como sabemos, um fator que visa acentuar uma postura destinada a despertar o interesse sexual. Foi aí que cheguei à conclusão que no NATURISMO o indivíduo assume o corpo que tem. Foi assim que nasceu e essa é a sua verdadeira identidade.

Na manhã seguinte, tomamos nosso último banho de mar. Aproveitamos os últimos raios de sol. Curtimos nossos últimos momentos de completa nudez. Desarmamos a barraca. Arrumamos as bagagens. Nos despedimos de tudo. E Pegamos nosso ônibus com destino a realidade.


Fim.

sábado, 20 de setembro de 2008

TAMBABA (parte II) - Pelados à beira mar

Há uma diferença entre naturismo e nudismo. O Naturismo é um modo de vida, em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática da nudez social, com a intenção de encorajar o auto-respeito, o respeito pelo próximo e pelo meio ambiente, como assim ficou definido internacionalmente. O nudismo é simplesmente a prática de freqüentar sem roupa um determinado lugar.

Em pouco tempo despido, deu para perceber quem apenas queria ficar pelado e quem ficava pelado por filosofia. Apesar das diferenças, o ambiente é de respeito. Não há ninguém que lhe deixe incomodado. Que fique de olho em seus dotes. Que lhe deixe constrangido de estar nu.

Sou marinheiro de primeira viagem, então no começo eu fiquei constrangido, mas um tempo depois o embaraço sumiu. Quando passou eu percebi que a vergonha foi entre eu e meu corpo. Você não tira a roupa com vergonha que os outros olhem, você não tira a roupa porque você não conhece ao certo seu corpo. Não tem autoconfiança. Depois que você começa a andar nu e ver todos do mesmo jeito, se divertindo, curtindo a praia, indo e vindo, a sexualidade do corpo passa a ficar em segundo plano. Não há como ficar excitado nesse ambiente a não ser que o motivo seja esse.

Nus, eu e Priscila passamos pela primeira parte da praia. Para chegar ao outro lado, onde a nudez é de fato obrigatória, os visitantes precisam atravessar um pequeno caminho por dentro da mata. Um espaço onde representantes do Naturismo de Tambaba ficam para responder qualquer dúvida sobre o Naturismo e a praia.

Chegando no outro lado, eu me deparo com uma imagem interessante. O que para alguns seria no mínimo estranho, engraçado ou putaria, eu vi com bastante entusiasmo. Cerca de 300 pessoas curtindo a vida peladas. Homens e mulheres, gordos e magros, velhos e jovens, crianças, brancos e negros, famílias, casais, grupos de amigos fazendo tudo que qualquer pessoa faz na praia, só que nus.

Essa parte da praia é mais ampla e tão bela quanto a outra. Coqueiros, falésias, areia branquinha, mar ótimo para banho e muito bom para surfar. Por sinal, um peladão cortava as ondas praticando kit surf. Na areia, uma rede de vôlei armada com homens e mulheres jogando. Uma grande quantidade de mesas e cadeiras, com toda a cambada de adeptos do naturismo tomando umas cervejinhas e outros, mais radicais ficavam nos suquinhos.

De frente para o mar, uma pousada/restaurante. O único estabelecimento nessa parte da praia. O dono, Kleber, é um antigo naturista da região. Foi com ele que eu cheguei para perguntar se ainda havia espaço para montar uma barraca no terreno da pousada. Ele encontrou um lugarzinho primeira. Ao redor, 12 barracas de camping armadas. De um lado, uma barraca grande abrigava um casal com um par de filhos. Vieram conhecer Tambaba e acharam legal passar uns dias acampados. De outro lado, uns casais de branquelos conversavam em frente das barracas. Todo mundo parecia de paz com tudo. Só curtindo a maresia com as bolas e seios de fora.

Em meia hora eu e Priscila armamos a barraca. O que nos parecia ser um trabalho difícil, pois nunca tínhamos acampado, não poderia ser mais fácil. Barraca pronta, tratamos de jogar todas as nossas tralhas lá dentro e ir sair para dar uma volta pela praia.

Comprei uma cerva e fui conhecer a praia com Priscila que ia de água de coco. Era tudo novo pra gente. A paisagem, as pessoas se divertindo. Passando por uma parte com rochas, encontramos outro espaço da praia, menos movimentado, onde os mais tímidos ficavam pegando sol e fazendo piquenique.

Sempre pelados, fomos para a primeira parte da praia. Lá há o restaurante do Xexeu. Um local erguido com madeira, bem rústico. Demos uma sacada no cardápio e notamos que é o local mais barato para se comer na praia. Nos sentamos e pedimos uma carne de sol com fritas. Para beber, mais gela. Enquanto a maresia batia nos meus culhões, eu via o sol se preparando para se pôr.

Depois do almoço show de bola, fomos dar uma olhada nos estandes na parte de cima da praia. Muita coisa pra gringo. Quis comprar uma revista brasileira sobre naturismo, mas não havia mais exemplares à venda. Encontrei um estande que vendia uma cachaça de Tambaba. Provei umas doses e resolvi comprar uma garrafa. Mais pra frente vi uns artesanatos, camisas, uma mulherzinha vendendo licores, parei. Provei uns 10 sabores e comprei um licor de cupuaçu que me pareceu o mais gostoso. Antes de voltar pra barraca, já de noite, jantamos uns pasteis que eram verdadeiras refeições.

Na praia, o movimento era pouco. Só restava a galera que estava acampada e hospedada na pousada. Curti o silêncio da noite. A lua estava se preparando para no dia seguinte a aparecer completamente cheia. O vento estava frio. Eu andava pela praia devidamente embriagado de tanta birita. Faltava acender um baurets para eu terminar a noite de boa. Sem medo nem roupa, meti brasa e viajei com a maresia.


Continua.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

TAMBABA (parte I) - Rumo ao Paraíso

Seguia a BR-101 na direção sul dormindo no ônibus. Sonhava ansioso com o que me esperava no Estado vizinho, a Paraíba. Por mais firme que eu demonstrasse ser, na hora de tirar a roupa e seguir em frente na orla de Tambaba, sabia que ficaria indeciso.

A chegada no Terminal Rodoviário de João Pessoa foi tranqüila. Como outras rodoviárias país afora, a de João Pessoa é localizada na parte periférica da cidade. Por isso é fundamental ficar de olho bem aberto. Alguns mendigos perambulam o local em busca de trocados e vacilos. Os policiais presentes não dão conta do recado, e por mais surras e ameaças feitas contra os marginalizados, estes acabam voltando. Para tentar ajudar contra essa péssima primeira impressão nos turistas, faixas foram colocadas em vários lugares no terminal alertando para que não se dê esmolas aos mendigos. “A vítima acaba sendo você”, diziam.

Para a praia de naturismo faltava uma hora de estrada percorrida no ônibus da Boa Viagem. O busão é de qualidade e a passagem custa R$ 4,80, que somados aos R$ 26,00 que é o preço mais em conta da passagem Natal – João Pessoa, o total gasto em transporte fica praticamente por R$ 31,00. A merda é que para Tambaba vão apenas três ônibus por dia. Um de manhãzinha, outro no horário do almoço e o último ao anoitecer. O que pode tornar sua viagem um pouco cansativa de tanto ter que esperar pelo busão.

Tambaba é a última descida. No fim da linha há uma pousada e restaurante, a Arca do Bilú. O dono, Marcos Bilú, é uma figura. Meia idade, jeitão de surfista, cego de um olho, anda de sunga e camisa pelo restaurante, mora no local com a mulher e filhos, é naturista. Ele que informou que a descida para a praia ficava mais a frente. E então fui mais a frente.

Antes de descer uma baita ladeira que dá acesso a orla, me deparei com uma paisagem espetacular. Falésias enormes e multicoloridas, vegetação com resquícios de mata atlântica e coqueiros, além de um céu azul que se funde com o mar. O movimento de pessoas estava intenso, até porque Tambaba estava sediando um evento de suma importância para o naturismo brasileiro e turismo local: o 31º Congresso Internacional de Naturismo, que pela primeira vez acontecia na América do Sul.

Gente de todo o Brasil e do mundo veio para a Paraíba conhecer a paradisíaca praia de naturismo do nordeste. Uma boa estrutura foi montada para receber os visitantes. Um espaço para palestras, estandes para venda de artesanatos, produtos da região, pacotes turísticos, um balcão para informações, lanchonetes e um restaurante self-service ao preço de R$ 18, 00 o prato individual (por esse preço se percebe que as coisas no local eram os olhos da cara).

Naquele momento, ao sol do meio-dia, sem ter almoçado, doido por uma gela, carregando nas costas uma mochila, colchonete e uma barraca, tudo o que eu mais queria era descer para a área de camping que ficava a beira mar e montar logo a barraca, tarefa a qual eu jamais havia realizado, pois nunca tinha acampado na vida, para logo depois curtir o ambiente.

Antes de botar o pé na areia da praia, um rapaz, negro, baiano, só de sunga e com o crachá da organização pendurado no pescoço aparece: “Ôpa! A partir daqui, só tirando a roupa”.

“Mas perai, a parte para nudismo não é a partir dali?”, perguntei.

“É, cara, mas para o congresso a organização achou melhor incluir essa área como área de nudismo também e que o uso de roupas está proibido”.

Na orla de Tambaba há uma pequena área em que a nudez não é obrigatória. É como um espaço de adaptação em que as pessoas tomam coragem para em fim ficarem nus por completo. Para o congresso, como o baiano havia dito, esse espaço não era mais para adaptação e sim para já estar pelado.

Então me veio à cabeça todo o percurso da minha viagem, desde Natal, onde meu pensamento era convicto de que não seria problema tirar a roupa, passando por João Pessoa e chegando onde estava: a um pé de sentir a areia de Tambaba.

Foi aí que eu olhei para Priscila, minha companheira de viagem, e acenei com a cabeça como que dizendo, “é agora!”. Comecei tirando a camisa, depois as havaianas e baixei o calção de uma só vez, com cueca e tudo. Nu. Peladão. Com o pau e bunda amostra. Priscila foi um pouco mais lenta. Estava tímida. Mas enfim ficou nua também. Guardamos as roupas nas mochilas, segurei o colchonete e a barraca nas costas e então seguimos em frente rumo ao paraíso...

Continua.