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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Pra espantar as moscas de 2008

Macacada, há quanto tempo! 2008 passou e eu estive ocupado com tarefas do trabalho. Mas já estou de boa novamente. Enchendo a cara em dia de semana e vagabundando por aí pra variar. Afinal, estou com os ovos pro ventilador, de férias.

As primeiras horas de 2009 foram marcadas por um banho de piscina embriagado e frio em casa, muita cerva e outras cocitas. O sol ainda despertava quando pegávamos a estrada eu, Rayo, Beto e seus pais Roberto e Daguinha. Num Uno alugado, a gente partia para praia de Canoa Quebrada no Ceará.

Cinco horas de estrada depois e lá estávamos nós com aquela vista linda de cima das falésias de Canoa. Procurando um lugar pra acampar, acabamos por achar um quartinho muito bom por uma pechincha. Deu pra acomodar a turma toda e de sobra ainda tinha uma geladeira pra gente despejar as biritas.

Falésias, mar azul esverdeado, muita gente, jangadas e jegues pra passeio, barraquinhas estilizadas erguidas com madeira, assim era Canoa, praia bonita, mas que perde pra nossa Pipa e sua praia do amor e adjacências.

Pra manter o hábito, toda manhã a gente se reunia na praia pra pegar um solzinho, tomar aquele banho de mar, ver bundas, comer uns pastéis de camarão, arraia e beber umas cervas na maior paz, com vento no rosto e sem nenhum aperreio.

Da praia a gente subia pra rua principal e almoçava. Às vezes churrasco, outras um prato feito do bom pra não gastar tanto. Por sinal, Canoa apresenta uma variedade interessante de bares e restaurantes. Tem pra todos os gostos e bolsos. Desde refinados pratos de culinária gringa até PFs por modestas seis pratas.

De bucho cheio, nada melhor que uma deitada, para alguns, para outros, mais birita. Acompanhar o fim de tarde na praia de frente pro mar é a pedida. Curtir um reggae em certas barraquinhas, dar uma sacada na fauna de pessoas e pra não ficar de cara, fazer a cabeça na maior tranquilidade.

À noite as coisas pegam fogo. O movimento é grande e nesse quesito a nossa Pipa perde pra Canoa. Gente de todas as tribos passam pela rua principal – sabe-se deus por que chamada de Broadway – em busca de diversão, e encontram. Reggae, forró, dance, vários ritmos se misturam pela rua que a partir das dez da noite está bastante lotada. Pra beber, vários barzinhos estilizados oferecem drinques interessantes.

Apesar dos vários ritmos, Bob Marley lá é rei. E pra curtir um Reggae do caralho, com muita gente doida, à beira mar e com uma fogueira criando um clima muito foda de lual, a parada é descer por entre as falésias para o Freedom Bar, porque esse é O Bar de Canoa.

Pois é, foram quatro dias conhecendo Canoa e suas quebradas. Voltei de lá satisfeitíssimo e com o compromisso de retornar pra poder curti de forma mais alucinada, porque vale a pena. A empolgação pra contar tudo com os mínimos detalhes é grande, mas na boa, nenhum discurso será melhor que uma sacada in loco.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sábado eu fui pro castelo [final]

Agora eu me lembro do fim da festa no tal Castelo Pub, quando todos iam embora e eu observava os últimos bêbados que partiam. Entre eles vinha o amigo B., um sujeito franzino, dos cabelos rasos e uns óculos de grau. Nessa hora Z. estava só a merda. Já havia dado um jeito no estomago com uma vomitada de leve só pra acabar com o enjôo. Z. queria ir pra casa. Então B. olha por todo o estacionamento e me pergunta “eu quero saber quem foi o louco que estacionou o carro ali”, e apertou o botão que dispara o alarme. Foi ele, claro. O seu lema é: “sempre estacionar onde as pessoas digam: caralho, não dá pra botar o carro naquele lugar”.

O carro estava loucamente inclinado numa descida com areia fofa de duna. O veículo estava com os pneus prestes a atolar, isso se não desabasse antes. B. estava bêbado, mas ninguém pode com ele quando ele está ao volante. B. e o Ford Ka negro dele quando se juntam se tornam praticamente uma coisa só. Ele sente o carro. Passa a marcha, vai pisando no acelerador ao poucos. “Estão escutando? É o som do motor”, diz pra gente. Ele não toca no volante. Apenas vai pisando no acelerador. O carro vai subindo a ladeira de ré. Em câmera lenta o carro sobe sozinho, sem cantar pneu, sem atolar, sem merda nenhuma, sem que B. tocasse uma única vez no volante. Aí ele dá meia volta com o carro e pisa fundo. Antes de chegar ao asfalto da rodovia rota do sol ele dá dois cavalos-de-pau no barro como se fosse a assinatura dele. “Eu dirijo melhor bêbado”.

Amanhecia e a gente seguia pela rota do sol sem destino. Jorge Bem Jor no volume máximo. A gente cantava curtindo o álcool no sangue. Pium ficava para trás, depois Pirangi e seu maior cajueiro do mundo. Depois Búzios. B. acelerava. Algumas lombadas não eram vistas a tempo e por isso vez por outra o carro saltava com a gente dentro. Isso despertava Z. do seu sono. Em cada praia o sol subia cada vez mais escondido atrás das nuvens. Queríamos chegar num ponto onde desse para contemplar a manhã de forma privilegiada. B. dá mais um cavalo-de-pau e pára a beira de um precipício. Estávamos na beira do mirante dos golfinhos, em Tabatinga. Vista linda! Lá embaixo, a 30 metros de altura, a maré cheia batia nas rochas. Para B. não bastava. “Tá bom, vamos voltar para o carro”, disse.

Seguimos em frente de novo. B. ñ cansava. Dirigia firme. Antes de seguir para a praia de Barreta, B. pegou uma estrada de barro e deu o aviso. “Z., acorda e põe o cinto”, Z. estava cochilando no banco de trás. B. seguia aumentando a velocidade. Os declives da estrada de barro faziam o carro dar pequenos saltos. B. começou a dar seguidas derrapadas propositadamente para se divertir. “Com emoção!”. Chegou num pequeno vilarejo, no distrito de Timbó, no município de Nísia Floresta. Não havia movimento algum. Todos dormiam. B. parou o Ford Ka em frente a igrejinha e saiu do carro. Olhou para uma torre de telefonia e resolveu subir. Eu e o Z. achamos loucura, pois a torre era muita alta e não confiávamos que B. conseguiria subir tantos degraus naquele estado de pós-embriaguez. Quando chegou lá no alto ele acenou para a gente. B. é um maluco! Alguns moradores começavam a despertar e como éramos forasteiros fazendo arruaça em frente a igreja, resolvemos partir, dessa vez em direção de casa.

Nada mais tirava o sono de Z. no banco de trás. A rota do sol já começa a ficar movimentada. Eu ainda estava aceso. B. estava ao volante. Ele não sabia que tomei ácido. B. só bebeu durante a noite. Agora ele estava cansado. Muito cansado. Eu reparava na estrada, olhava a paisagem pela janela, curtia o restante do efeito do ácido. Lembrei que passei a semana inteira entre goles de cerveja e baseados. Estava satisfeito. Por isso não reparava que B. começava a dormir ao volante. Só percebi quando o carro se aproximou do meio-fio. Ele acordou no susto. Seus olhos estavam semicerrados, ele precisava dormir. Tentou passar o volante pra mim, mas eu não sabia dirigir. Z. sabia, mas estava pior que ele. O jeito foi seguir em frente assim mesmo. Ele pediu para que eu não parasse de conversar com ele e que o macete era andar devagar. Deu certo. As 7h em ponto eu estava em casa. Minha sobrinha de um ano e 8 meses tomava uma mamadeira na sala enquanto assistia desenho. Fui para o quarto. Troquei de roupa. Me olhei no espelho. Analisei o meu estado. Não sentia fome, não sentia sono. Lavei o rosto. Fui para a cama e puxei da estante o Corpo Presente para ler. Capítulos curtos, frases curtas, poucos personagens. Cenários de uma Copacabana ambígua, sedutora e suja. Um texto meio Bukowski, escatológico, mas uma história de amor. Uma paixão. Uma Carmen que parece mais de uma. Sexo, drogas, noitadas, uma mãe que se masturba enquanto amamenta um bebê. Eu estava sem sono. Seguia com o livro em alta velocidade. Pausei apenas para uma ligeira punheta, para descarregar as energias. Voltei para o livro. Meu irmão chega de viagem e entra exausto no quarto. Olho de relance e ele está com a cabeça completamente raspada. Eu costumava raspar a cabeça. Ele veio de Petrolina, Pernambuco. Havia participado de um campeonato regional de basquete. Foi campeão. Perguntou “e aí otário?”. Respondi sem tirar os olhos do livro que estava tudo tranqüilo. Era domingo. Eu terminara o livro. Em fim iria dormir.


...Fim.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sábado eu fui pro castelo [parte I]

Texto feito num embalo só. Sem pausas, de estômago vazio. Apenas com uma caneca de café pela metade, no dia 19 de outubro de 2008

Eu terminei a noite com Corpo Presente, livro de estréia de João Paulo Cuenca, apesar de que não era mais noite, pois às sete da manhã já é dia. Eu não conseguia fechar os olhos, não dava. Olhei pro livro na estante e o li numa levada só. Muito antes do livro, porém, antes até de acabar a festa, eu descia do ônibus.

Um cara no ônibus havia dito que bastava seguir em frente que chegaríamos ao tal Castelo Pub. Na metade do caminho eu chego pro Z. e abro a carteira. “Tá vendo esse pedacinho de papel aqui. É isso que é ácido”. Peguei a metade de um e mandei pra dentro da boca. Deixei sob a língua para minutos antes de entrar no tal Castelo Pub engolir.

A festa rolava a mil dentro do tal Castelo Pub. Cada vez mais gente chegava e logo o ambiente ficaria pequeno para tanta euforia.

Fui com o Z. sacar melhor o local. Desci num quase labirinto de escadas que levava até uma espécie de masmorra. O local era claustrofóbico. Em um compartimento havia uma tumba com uma galera conversando ao redor. Aquele pequeno espaço era insuportável. Não sei ao certo, mas fiquei com a impressão de que alguém cagou na tumba, tamanho era o fedor que por ali circulava. Na espécie de masmorra, um pequeno cômodo subterrâneo do tal Castelo Pub, uma galera se amontoava para curtir o som do Barbiekil.

Cheguei no bar e perguntei pelas bebidas que tinha. O balconista não mencionou nenhum nome de cachaça. Eu gosto de cachaça. Confesso que tenho um carinho especial por essa bebida genuinamente brasileira. É uma espécie de frescura de raiz cultural, um patriotismo na hora de escolher a birita. Mas não tinha cachaça e eu aceitei uma dose de vodka com refrigerante e bebi rápido.

O ácido fazia efeito e eu não parava de mandar um baseado atrás do outro. Queria explodir. Rolou os Bonnies na noite e eu gosto do som da banda. Fiquei sacando os caras tocarem por um tempo. Havia muitos machos perto do palco achei melhor dar uma circulada por outro lugar.

Z. demonstrava cansaço. Talvez apenas quisesse a sua garota por perto. Gastei meus últimos trocados com uma cerveja.

Começava a amanhecer e eu não sentia um pingo de sono. A banda parou de tocar porque o combinado era tocar até o amanhecer. A galera queria mais.

Eu tentava me lembrar de ontem, sexta-feira, dia 17. Foi por volta das 4h que eu adormeci sentado, numa lanchonete, com um sanduíche de bacon na mão. Se não fosse por um amigo eu só acordaria pela manhã. Despertei e andei por um tortuoso caminho até poder deitar em paz. Não tenho certeza se o cansaço foi devido ao expediente do estágio, quando na hora do almoço eu resolvi encher a cara com os colegas apreciando pela primeira vez uma carne de cordeiro na brasa, ou se foi por causa de mais cervejas e um baseado com haxixi durante o som de uma banda que tocava chorinho na parte da noite. O certo é que eu literalmente fiquei destruído.

Mas pela manhã de sábado eu já estava prontamente refeito às 10h quando reparei que havia dormido com o resto do sanduíche de bacon no bolso. Foi o meu café-da-manhã. Às 10 e meia eu estava sentado na privada defecando os restos do que sobrou do meu intestino grosso. Fiquei até as 13h ouvindo vinil na casa de um amigo. Ele mostrava todos os recursos do seu fabuloso Philips tocador de LPs. Havia um botão para que a música saísse com o instrumental evidenciado. É massa demais! Eu conheci John Lennon na casa desse meu amigo. Antes eu só conhecia “Imagine”, mas ai o meu amigo foi colocando pra tocar um disco atrás do outro do Lennon. Realmente ele fez um trabalho solo magistral.

Antes de almoçar meti brasa num baseado de leve só para abrir o apetite. Senti vontade de ir à praia. Ponta Negra servia. Ia deixar para ir depois de comer. Paguei sete e cinqüenta pelo almoço e um suco e um cafezinho preto. Estava bem servido. Zanzei pelo bairro de candelária para morrer na bodeguita do Seu Jean. Tomei umas 4 cervas por lá e parti sozinho para ponta negra ver o sol se pôr. Restavam alguns poucos surfistas que tentavam pegar onda na praia quase escura. Fumei mais um. Cochilei na areia por uns 10 minutos e vi que era hora de voltar pra casa.

Voltei. Atravessei a casa sem passar pela cozinha, não sentia fome. Precisava apenas de uma pequena dormida. O que não foi possível, pois fui interrompido por uma ligação da minha amiga L. que dizia ter acabado de tomar o ácido e que não sentia absolutamente nada. Fiquei puto. O fela-da-puta do trafica me vendeu só os papeis, pensei. Depois de uma hora ela liga de novo. Já imaginava a merda, R$ 40 perdidos. Mas ela me liga com uma voz diferente, gritando. “Raaaaaaaaaaaaaamon, bóoooooooe, tô muito doida! O negócio é bom mesmo. Eu e V estamos muito loucos”. É, eu não havia sido enganado e a parada era da boa mesmo, bendito trafica!


Continua...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Fim de Semana em Chamas - Vídeos

Saquem alguns vídeos que fizemos lá em Barra de Punaú.



Eu pagando de repórter de programa de viagem.



Aqui eu pareço mais um artista de circo, apresentando o meu magnífico número de descer morros.



Beto aprendendo a difícil técnica de rolar em morro. Com o tempo ele pega o jeito.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Fim de Semana em Chamas

De início vou comentar o fim. Vamos aos resultados. Um corpo em chamas de tanto sol, mais de 14 km de caminhada com mochila, barraca, colchonete e bugigangas nas costas, litros de bebidas pelo caminho, uma lagoa, um rio, uma praia, dunas e pegue estrada.

Era pra a turma do Blog Catorze estar toda presente. Seria um acampamento catorzeano com tudo que tem de direito, no entanto, por motivos extraterrenos, apenas quatro integrantes se embrenharam numa empreitada que levaria até um dos lugares mais lindos do litoral norteriograndense, como apontam várias revistas de turismo. Junte aos quatro integrantes do Catorze, duas presenças ilustres, Daguinha e Roberto, um casal desenrolado que em muito contribuiu na viagem.

A turma foi incompleta, mas repleta de vontade, de caminhar, pelo menos de início, quando optamos por descer na Vila de Punaú, crentes que a paradisíaca praia estava ali, a 4 km. Ledo engano, pra não dizer leso. Então pegue caminhar com todas as bagagens nas costas por um caminho sem fim. Sem fim porque a cada indivíduo que aparecia no caminho a gente perguntava pela praia e as respostas eram as mais desanimadoras possíveis. “Rapaz, Punaú não tem praia não”. Macacada, imagine só você ouvindo isso. É de querer voltar pra casa. Mas tudo bem, fomos andando e juntando as informações até chegar a uma estrada de barro que acreditamos levar definitivamente a praia.

Muitas horas de caminhada depois, surge um carro em sentido contrário ao nosso. Ôpa, sai uma Caroninha pra praia aí?. Não!. Mas o motorista nos aliviou um pouco o cansaço avisando que um pouco mais a frente a gente chegaria a uma lagoa. Dizia o homem tratar-se de um lugar legal, com tudo, tudo pra gente. Pegue acelerar os passos.

Lagoa do Cutia. Nada de tudo, mas muito de relaxante. Uma lagoa azul muito da boa só esperando por nós. Ainda era manhã, quase dez, o sol ainda estava prestes a nos castigar. Corremos pra água e só saímos quando os dedos estavam prestes a desaparecer de tanto enrugarem. Havia um restaurante de um homem gente finíssima. O cara nos serviu umas cervejinhas massa pra nos refrescar do calor e depois nos serviu um PF de encher o bucho.

No entanto, nós tínhamos um fim. A lagoa era apenas o meio do caminho. O humilde homem do restaurante fez um preço camarada para nos levar ao nosso destino. Ele era um cara sem cerimônia, disposto a ajudar, gostou da nossa presença. Fomos todos no seu carro até o tal lugar paradisíaco. Antes, porém, ele foi até Zumbi mostrar um pouco do local, e principalmente a sua simples casa. Depois nos levou ao local onde pretendíamos acampar.

Ancoramos o barco e a tripulação catorzeana enfim pode curtir sem preocupações. Barracas prontas, hora de cair no rio. Estávamos em Barra de Punaú, lugar que separa as praias de Pititinga e Zumbi, lugar em que o Rio Punaú deságua no mar depois de banhar uma duna de areias branquíssimas que comporta coqueirais enormes. Tudo muito lindo mesmo.

Depois do rio, por que não umas ondas no mar? Lá fomos nós então. O exato ponto onde o rio e o mar se encontram. Um pouco de argila, água doce, água salgada. Tudo muito massa. O sol. Eu sei que existe protetor solar, mas às vezes você está disposto a cometer burradas. Foi o que aconteceu. Tostei na frigideira legal. E havia muito pela frente.

Anoiteceu. Caminhada de meia hora até a cidadezinha de Zumbi pra jantar. Um energético pra não deixar colar os olhos. Volta-se para o local das barracas, toma-se um banho, tirar o lodo do corpo às vezes é bom. Puxa-se de uma mochila um litro de cana do mal, de outra, um conhaque idem, pra acompanhar, umas tangerinas, chocolate, produtos elma chips e muito papo.

Conversa vai, conversa vem, foi-se a birita todinha. Uns foram se deitar, outros começar a noite. Todo mundo muito doido, então vamos nos embrenhar entre as dunas. Loucura total de 4 cabeças insanas, catorzeanas, cheias de cana. Pra tirar areia, cai-se no rio e por lá se fica. A noite caminha e a gente entende que é a hora de dar um descanso, enganar um pouco o corpo, a pele. Dorme-se.

Acorda-se. É muito cedo ainda. Uns caminham novamente até Zumbi pra tomar um cafezinho maroto. Outros preferem dar um tempo às pernas. Mas logo todos se juntam novamente e toma-se um banho de rio. O sol então decide terminar de queimar o que faltava. Novamente, eu sei, existe protetor solar, mas sabe como é, burradas acontecem, não é pra qualquer um.

Hora do almoço. Desarma-se as barracas, arruma-se tudo, zarpa-se a embarcação catorzeana adivinhem pra onde... Zumbi. Então pegue mais caminhada, dessa vez com a companhia de um sol de meio dia. Assamos na grelha legal. Uns pareciam camarão, outros uma picanha bem passada.

Zumbi. Um quiosquinho à beira mar. Muitas cervejas. Uma trilha sonora de batucada inexoravelmente fora de qualquer sintonia, o alegre e divertido batuque de bêbados de praia. Um peixe delicioso no almoço. Mais cervas enquanto o busão não vem. Chegou! É, galera... hora de irmos. No caminho, pouco papo. Apenas lembranças, sonhos. Todo mundo muito cansado. Satisfeito. Porra, amanhã é segunda! É, nem me fale, ter que voltar ao mundo real, a velha rotina de casa-trabalho-universidade-casa. Solo natalense, a festa acabou, sobra-se a nostalgia nos dias de chuva.



P.S: Eu continuo no ritmo de um acampamento todo mês. Já foram três com esse. Cada vez uma galera nova. Uns se juntam, outros dão um tempo. A essa galera de agora eu gostaria de dizer que gostei muito da companhia. Muita diversão e histórias. Um abraço especial à Daguinha e Roberto, pais de Beto que esteve presente ao lado das também catorzeanas Rayanne e Ceci. Completa a trupe, este vagabundo tostado que neste fracassado blog derrama o seu prazer.


Pra quem ainda não conhece, visitem: catorzeblog.wordpress.com

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Poderia ter ficado em casa, mas assim eu não teria o que contar


A noite parecia estranha quando Beto e eu resolvemos vagar sem rumo pela cidade. Esperamos na parada mais próxima pelo primeiro ônibus que passasse. Veio um da linha 43 com destino ao bairro do alecrim. Subimos nele.

O plano era escolher um bar ao léu. Observamos pela janela uma Bernardo Vieira vazia, silenciosa, apenas um bar de esquina, daqueles bem das antigas. Descemos e fomos ver qual era a do barzinho.

Bar do Encontro era o nome do local. Poucos aventureiros da meia noite se espalhavam pelas mesas, beliscando aperitivos e bebericando. Alguns casais. Uns taxistas batendo papo. Pedi uma dose de conhaque barato, Beto foi de Martini. De petisco uma deliciosa porção de coração de boi frito com macaxeira cozida ao ponto. Isso porque não estavam mais servindo a porção de rins que era o que desejávamos.

Filosofamos sobre as mulheres, esses seres maravilhosos, apetitosos, indecifráveis, sensuais e doces. Papo de mesa de bar mesmo. Mas sempre há espaço para devaneios. Planejamos fazer, enfim, uma reportagem em quadrinhos. Coisa que tínhamos a certeza de fazer quase todo mês. Mas que no fim das contas sempre surgia um serviço atrasado no emprego, uma prova inesperada na faculdade, uma ressaca de dois dias que não nos permitia tocar pra frente o projeto. Espero que dessa vez saia mesmo.

Era hora de zarpar. Dar uma caminhada quilométrica pela Bernardo Vieira em direção à Prudente de Morais. Na calada da noite as ruas, por mais bonitas que sejam, são tenebrosas. Não sei se o que dá mais medo na madrugada é ela estar sem uma viva alma ou com apenas um pobre homem parado na penumbra. O interessante é que eu sou um indivíduo que posso dizer “Natal não é uma cidade perigosa”.

Se tem um doido que vaga pela madrugada bêbado e caindo pelo chão, inofensivo, frágil, fácil de ser roubado e morto, sou eu. Foram tantas as andanças na calada da noite e nada de ruim me aconteceu. Nem mesmo um gato dos diabos pulou sobre o meu caminho para me cagar as calças de susto. Nada. Nunca fui assaltado. Pra mim essa Natal em que vivo é um paraíso sem violência. Pelo menos pra mim. E sei que falando isso vai aparecer uma ruma de vagabundo pra me roubar agora. É a conseqüência de se cantar felicidade. É assim. Um dia eu não chego em casa. Já estou vendo.

Mas seguimos andando rumo a Prudente de Morais. Fizemos um pitstop na conveniência de um posto. Beto sugeriu bebermos iogurte com cana. Achei estranho. Disse que cana com todinho ainda ia, mas com iogurte não dava. Ficamos sem se decidir, sem beber. “Vamos para um bar, é melhor”. Fomos embora novamente. Mais andanças. Dessa vez descendo a Prudente de Morais. Essa é a sina de não ter carro no fim de semana.

Nenhum bar pelo caminho. Bar do ku, do careca, do caralho a quatro e nada. Tudo fechado em plena madrugada do sábado. Encontramos um barzinho escondido bastante movimentado. Fomos dar uma sacada e isso sim foi um assalto quando olhamos os preços do cardápio. Caímos fora.

Continuamos descendo a avenida. Um outro posto de gasolina. Uma nova conveniência. Biritamos por lá mesmo. Mas a falta de movimento, pelo menos de um garçom para trazer as cervas, começou a nos morgar e tivemos de continuar descendo a avenida. Um trabalhador da madrugada daqueles que pedala infinitas distâncias para vender salgados com refresco de goiaba em sua bicicleta singela surgiu em nosso caminho, lanchamos.

Continuamos vagando sem rumo por uma Prudente de Morais morta. Acabamos andando tanto para morrer no bar mais perto de casa. Candel Bar, já no bairro de candelária. Filé de suíno com fritas, duas dose de meladinha e uma garrafa de soda pra limpar o estrago da noite antes de ir embora quando o sol já raiava no leste.

Foram tantos quilômetros que fico me perguntando se a gente saiu pra caminhar ou pra beber. Acho que foi mais uma saída saudável pela madrugada. Perder umas calorias mesmo. Coisa de atleta.