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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Pra espantar as moscas de 2008

Macacada, há quanto tempo! 2008 passou e eu estive ocupado com tarefas do trabalho. Mas já estou de boa novamente. Enchendo a cara em dia de semana e vagabundando por aí pra variar. Afinal, estou com os ovos pro ventilador, de férias.

As primeiras horas de 2009 foram marcadas por um banho de piscina embriagado e frio em casa, muita cerva e outras cocitas. O sol ainda despertava quando pegávamos a estrada eu, Rayo, Beto e seus pais Roberto e Daguinha. Num Uno alugado, a gente partia para praia de Canoa Quebrada no Ceará.

Cinco horas de estrada depois e lá estávamos nós com aquela vista linda de cima das falésias de Canoa. Procurando um lugar pra acampar, acabamos por achar um quartinho muito bom por uma pechincha. Deu pra acomodar a turma toda e de sobra ainda tinha uma geladeira pra gente despejar as biritas.

Falésias, mar azul esverdeado, muita gente, jangadas e jegues pra passeio, barraquinhas estilizadas erguidas com madeira, assim era Canoa, praia bonita, mas que perde pra nossa Pipa e sua praia do amor e adjacências.

Pra manter o hábito, toda manhã a gente se reunia na praia pra pegar um solzinho, tomar aquele banho de mar, ver bundas, comer uns pastéis de camarão, arraia e beber umas cervas na maior paz, com vento no rosto e sem nenhum aperreio.

Da praia a gente subia pra rua principal e almoçava. Às vezes churrasco, outras um prato feito do bom pra não gastar tanto. Por sinal, Canoa apresenta uma variedade interessante de bares e restaurantes. Tem pra todos os gostos e bolsos. Desde refinados pratos de culinária gringa até PFs por modestas seis pratas.

De bucho cheio, nada melhor que uma deitada, para alguns, para outros, mais birita. Acompanhar o fim de tarde na praia de frente pro mar é a pedida. Curtir um reggae em certas barraquinhas, dar uma sacada na fauna de pessoas e pra não ficar de cara, fazer a cabeça na maior tranquilidade.

À noite as coisas pegam fogo. O movimento é grande e nesse quesito a nossa Pipa perde pra Canoa. Gente de todas as tribos passam pela rua principal – sabe-se deus por que chamada de Broadway – em busca de diversão, e encontram. Reggae, forró, dance, vários ritmos se misturam pela rua que a partir das dez da noite está bastante lotada. Pra beber, vários barzinhos estilizados oferecem drinques interessantes.

Apesar dos vários ritmos, Bob Marley lá é rei. E pra curtir um Reggae do caralho, com muita gente doida, à beira mar e com uma fogueira criando um clima muito foda de lual, a parada é descer por entre as falésias para o Freedom Bar, porque esse é O Bar de Canoa.

Pois é, foram quatro dias conhecendo Canoa e suas quebradas. Voltei de lá satisfeitíssimo e com o compromisso de retornar pra poder curti de forma mais alucinada, porque vale a pena. A empolgação pra contar tudo com os mínimos detalhes é grande, mas na boa, nenhum discurso será melhor que uma sacada in loco.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sábado eu fui pro castelo [final]

Agora eu me lembro do fim da festa no tal Castelo Pub, quando todos iam embora e eu observava os últimos bêbados que partiam. Entre eles vinha o amigo B., um sujeito franzino, dos cabelos rasos e uns óculos de grau. Nessa hora Z. estava só a merda. Já havia dado um jeito no estomago com uma vomitada de leve só pra acabar com o enjôo. Z. queria ir pra casa. Então B. olha por todo o estacionamento e me pergunta “eu quero saber quem foi o louco que estacionou o carro ali”, e apertou o botão que dispara o alarme. Foi ele, claro. O seu lema é: “sempre estacionar onde as pessoas digam: caralho, não dá pra botar o carro naquele lugar”.

O carro estava loucamente inclinado numa descida com areia fofa de duna. O veículo estava com os pneus prestes a atolar, isso se não desabasse antes. B. estava bêbado, mas ninguém pode com ele quando ele está ao volante. B. e o Ford Ka negro dele quando se juntam se tornam praticamente uma coisa só. Ele sente o carro. Passa a marcha, vai pisando no acelerador ao poucos. “Estão escutando? É o som do motor”, diz pra gente. Ele não toca no volante. Apenas vai pisando no acelerador. O carro vai subindo a ladeira de ré. Em câmera lenta o carro sobe sozinho, sem cantar pneu, sem atolar, sem merda nenhuma, sem que B. tocasse uma única vez no volante. Aí ele dá meia volta com o carro e pisa fundo. Antes de chegar ao asfalto da rodovia rota do sol ele dá dois cavalos-de-pau no barro como se fosse a assinatura dele. “Eu dirijo melhor bêbado”.

Amanhecia e a gente seguia pela rota do sol sem destino. Jorge Bem Jor no volume máximo. A gente cantava curtindo o álcool no sangue. Pium ficava para trás, depois Pirangi e seu maior cajueiro do mundo. Depois Búzios. B. acelerava. Algumas lombadas não eram vistas a tempo e por isso vez por outra o carro saltava com a gente dentro. Isso despertava Z. do seu sono. Em cada praia o sol subia cada vez mais escondido atrás das nuvens. Queríamos chegar num ponto onde desse para contemplar a manhã de forma privilegiada. B. dá mais um cavalo-de-pau e pára a beira de um precipício. Estávamos na beira do mirante dos golfinhos, em Tabatinga. Vista linda! Lá embaixo, a 30 metros de altura, a maré cheia batia nas rochas. Para B. não bastava. “Tá bom, vamos voltar para o carro”, disse.

Seguimos em frente de novo. B. ñ cansava. Dirigia firme. Antes de seguir para a praia de Barreta, B. pegou uma estrada de barro e deu o aviso. “Z., acorda e põe o cinto”, Z. estava cochilando no banco de trás. B. seguia aumentando a velocidade. Os declives da estrada de barro faziam o carro dar pequenos saltos. B. começou a dar seguidas derrapadas propositadamente para se divertir. “Com emoção!”. Chegou num pequeno vilarejo, no distrito de Timbó, no município de Nísia Floresta. Não havia movimento algum. Todos dormiam. B. parou o Ford Ka em frente a igrejinha e saiu do carro. Olhou para uma torre de telefonia e resolveu subir. Eu e o Z. achamos loucura, pois a torre era muita alta e não confiávamos que B. conseguiria subir tantos degraus naquele estado de pós-embriaguez. Quando chegou lá no alto ele acenou para a gente. B. é um maluco! Alguns moradores começavam a despertar e como éramos forasteiros fazendo arruaça em frente a igreja, resolvemos partir, dessa vez em direção de casa.

Nada mais tirava o sono de Z. no banco de trás. A rota do sol já começa a ficar movimentada. Eu ainda estava aceso. B. estava ao volante. Ele não sabia que tomei ácido. B. só bebeu durante a noite. Agora ele estava cansado. Muito cansado. Eu reparava na estrada, olhava a paisagem pela janela, curtia o restante do efeito do ácido. Lembrei que passei a semana inteira entre goles de cerveja e baseados. Estava satisfeito. Por isso não reparava que B. começava a dormir ao volante. Só percebi quando o carro se aproximou do meio-fio. Ele acordou no susto. Seus olhos estavam semicerrados, ele precisava dormir. Tentou passar o volante pra mim, mas eu não sabia dirigir. Z. sabia, mas estava pior que ele. O jeito foi seguir em frente assim mesmo. Ele pediu para que eu não parasse de conversar com ele e que o macete era andar devagar. Deu certo. As 7h em ponto eu estava em casa. Minha sobrinha de um ano e 8 meses tomava uma mamadeira na sala enquanto assistia desenho. Fui para o quarto. Troquei de roupa. Me olhei no espelho. Analisei o meu estado. Não sentia fome, não sentia sono. Lavei o rosto. Fui para a cama e puxei da estante o Corpo Presente para ler. Capítulos curtos, frases curtas, poucos personagens. Cenários de uma Copacabana ambígua, sedutora e suja. Um texto meio Bukowski, escatológico, mas uma história de amor. Uma paixão. Uma Carmen que parece mais de uma. Sexo, drogas, noitadas, uma mãe que se masturba enquanto amamenta um bebê. Eu estava sem sono. Seguia com o livro em alta velocidade. Pausei apenas para uma ligeira punheta, para descarregar as energias. Voltei para o livro. Meu irmão chega de viagem e entra exausto no quarto. Olho de relance e ele está com a cabeça completamente raspada. Eu costumava raspar a cabeça. Ele veio de Petrolina, Pernambuco. Havia participado de um campeonato regional de basquete. Foi campeão. Perguntou “e aí otário?”. Respondi sem tirar os olhos do livro que estava tudo tranqüilo. Era domingo. Eu terminara o livro. Em fim iria dormir.


...Fim.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sábado eu fui pro castelo [parte I]

Texto feito num embalo só. Sem pausas, de estômago vazio. Apenas com uma caneca de café pela metade, no dia 19 de outubro de 2008

Eu terminei a noite com Corpo Presente, livro de estréia de João Paulo Cuenca, apesar de que não era mais noite, pois às sete da manhã já é dia. Eu não conseguia fechar os olhos, não dava. Olhei pro livro na estante e o li numa levada só. Muito antes do livro, porém, antes até de acabar a festa, eu descia do ônibus.

Um cara no ônibus havia dito que bastava seguir em frente que chegaríamos ao tal Castelo Pub. Na metade do caminho eu chego pro Z. e abro a carteira. “Tá vendo esse pedacinho de papel aqui. É isso que é ácido”. Peguei a metade de um e mandei pra dentro da boca. Deixei sob a língua para minutos antes de entrar no tal Castelo Pub engolir.

A festa rolava a mil dentro do tal Castelo Pub. Cada vez mais gente chegava e logo o ambiente ficaria pequeno para tanta euforia.

Fui com o Z. sacar melhor o local. Desci num quase labirinto de escadas que levava até uma espécie de masmorra. O local era claustrofóbico. Em um compartimento havia uma tumba com uma galera conversando ao redor. Aquele pequeno espaço era insuportável. Não sei ao certo, mas fiquei com a impressão de que alguém cagou na tumba, tamanho era o fedor que por ali circulava. Na espécie de masmorra, um pequeno cômodo subterrâneo do tal Castelo Pub, uma galera se amontoava para curtir o som do Barbiekil.

Cheguei no bar e perguntei pelas bebidas que tinha. O balconista não mencionou nenhum nome de cachaça. Eu gosto de cachaça. Confesso que tenho um carinho especial por essa bebida genuinamente brasileira. É uma espécie de frescura de raiz cultural, um patriotismo na hora de escolher a birita. Mas não tinha cachaça e eu aceitei uma dose de vodka com refrigerante e bebi rápido.

O ácido fazia efeito e eu não parava de mandar um baseado atrás do outro. Queria explodir. Rolou os Bonnies na noite e eu gosto do som da banda. Fiquei sacando os caras tocarem por um tempo. Havia muitos machos perto do palco achei melhor dar uma circulada por outro lugar.

Z. demonstrava cansaço. Talvez apenas quisesse a sua garota por perto. Gastei meus últimos trocados com uma cerveja.

Começava a amanhecer e eu não sentia um pingo de sono. A banda parou de tocar porque o combinado era tocar até o amanhecer. A galera queria mais.

Eu tentava me lembrar de ontem, sexta-feira, dia 17. Foi por volta das 4h que eu adormeci sentado, numa lanchonete, com um sanduíche de bacon na mão. Se não fosse por um amigo eu só acordaria pela manhã. Despertei e andei por um tortuoso caminho até poder deitar em paz. Não tenho certeza se o cansaço foi devido ao expediente do estágio, quando na hora do almoço eu resolvi encher a cara com os colegas apreciando pela primeira vez uma carne de cordeiro na brasa, ou se foi por causa de mais cervejas e um baseado com haxixi durante o som de uma banda que tocava chorinho na parte da noite. O certo é que eu literalmente fiquei destruído.

Mas pela manhã de sábado eu já estava prontamente refeito às 10h quando reparei que havia dormido com o resto do sanduíche de bacon no bolso. Foi o meu café-da-manhã. Às 10 e meia eu estava sentado na privada defecando os restos do que sobrou do meu intestino grosso. Fiquei até as 13h ouvindo vinil na casa de um amigo. Ele mostrava todos os recursos do seu fabuloso Philips tocador de LPs. Havia um botão para que a música saísse com o instrumental evidenciado. É massa demais! Eu conheci John Lennon na casa desse meu amigo. Antes eu só conhecia “Imagine”, mas ai o meu amigo foi colocando pra tocar um disco atrás do outro do Lennon. Realmente ele fez um trabalho solo magistral.

Antes de almoçar meti brasa num baseado de leve só para abrir o apetite. Senti vontade de ir à praia. Ponta Negra servia. Ia deixar para ir depois de comer. Paguei sete e cinqüenta pelo almoço e um suco e um cafezinho preto. Estava bem servido. Zanzei pelo bairro de candelária para morrer na bodeguita do Seu Jean. Tomei umas 4 cervas por lá e parti sozinho para ponta negra ver o sol se pôr. Restavam alguns poucos surfistas que tentavam pegar onda na praia quase escura. Fumei mais um. Cochilei na areia por uns 10 minutos e vi que era hora de voltar pra casa.

Voltei. Atravessei a casa sem passar pela cozinha, não sentia fome. Precisava apenas de uma pequena dormida. O que não foi possível, pois fui interrompido por uma ligação da minha amiga L. que dizia ter acabado de tomar o ácido e que não sentia absolutamente nada. Fiquei puto. O fela-da-puta do trafica me vendeu só os papeis, pensei. Depois de uma hora ela liga de novo. Já imaginava a merda, R$ 40 perdidos. Mas ela me liga com uma voz diferente, gritando. “Raaaaaaaaaaaaaamon, bóoooooooe, tô muito doida! O negócio é bom mesmo. Eu e V estamos muito loucos”. É, eu não havia sido enganado e a parada era da boa mesmo, bendito trafica!


Continua...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Fim de Semana em Chamas - Vídeos

Saquem alguns vídeos que fizemos lá em Barra de Punaú.



Eu pagando de repórter de programa de viagem.



Aqui eu pareço mais um artista de circo, apresentando o meu magnífico número de descer morros.



Beto aprendendo a difícil técnica de rolar em morro. Com o tempo ele pega o jeito.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Fim de Semana em Chamas

De início vou comentar o fim. Vamos aos resultados. Um corpo em chamas de tanto sol, mais de 14 km de caminhada com mochila, barraca, colchonete e bugigangas nas costas, litros de bebidas pelo caminho, uma lagoa, um rio, uma praia, dunas e pegue estrada.

Era pra a turma do Blog Catorze estar toda presente. Seria um acampamento catorzeano com tudo que tem de direito, no entanto, por motivos extraterrenos, apenas quatro integrantes se embrenharam numa empreitada que levaria até um dos lugares mais lindos do litoral norteriograndense, como apontam várias revistas de turismo. Junte aos quatro integrantes do Catorze, duas presenças ilustres, Daguinha e Roberto, um casal desenrolado que em muito contribuiu na viagem.

A turma foi incompleta, mas repleta de vontade, de caminhar, pelo menos de início, quando optamos por descer na Vila de Punaú, crentes que a paradisíaca praia estava ali, a 4 km. Ledo engano, pra não dizer leso. Então pegue caminhar com todas as bagagens nas costas por um caminho sem fim. Sem fim porque a cada indivíduo que aparecia no caminho a gente perguntava pela praia e as respostas eram as mais desanimadoras possíveis. “Rapaz, Punaú não tem praia não”. Macacada, imagine só você ouvindo isso. É de querer voltar pra casa. Mas tudo bem, fomos andando e juntando as informações até chegar a uma estrada de barro que acreditamos levar definitivamente a praia.

Muitas horas de caminhada depois, surge um carro em sentido contrário ao nosso. Ôpa, sai uma Caroninha pra praia aí?. Não!. Mas o motorista nos aliviou um pouco o cansaço avisando que um pouco mais a frente a gente chegaria a uma lagoa. Dizia o homem tratar-se de um lugar legal, com tudo, tudo pra gente. Pegue acelerar os passos.

Lagoa do Cutia. Nada de tudo, mas muito de relaxante. Uma lagoa azul muito da boa só esperando por nós. Ainda era manhã, quase dez, o sol ainda estava prestes a nos castigar. Corremos pra água e só saímos quando os dedos estavam prestes a desaparecer de tanto enrugarem. Havia um restaurante de um homem gente finíssima. O cara nos serviu umas cervejinhas massa pra nos refrescar do calor e depois nos serviu um PF de encher o bucho.

No entanto, nós tínhamos um fim. A lagoa era apenas o meio do caminho. O humilde homem do restaurante fez um preço camarada para nos levar ao nosso destino. Ele era um cara sem cerimônia, disposto a ajudar, gostou da nossa presença. Fomos todos no seu carro até o tal lugar paradisíaco. Antes, porém, ele foi até Zumbi mostrar um pouco do local, e principalmente a sua simples casa. Depois nos levou ao local onde pretendíamos acampar.

Ancoramos o barco e a tripulação catorzeana enfim pode curtir sem preocupações. Barracas prontas, hora de cair no rio. Estávamos em Barra de Punaú, lugar que separa as praias de Pititinga e Zumbi, lugar em que o Rio Punaú deságua no mar depois de banhar uma duna de areias branquíssimas que comporta coqueirais enormes. Tudo muito lindo mesmo.

Depois do rio, por que não umas ondas no mar? Lá fomos nós então. O exato ponto onde o rio e o mar se encontram. Um pouco de argila, água doce, água salgada. Tudo muito massa. O sol. Eu sei que existe protetor solar, mas às vezes você está disposto a cometer burradas. Foi o que aconteceu. Tostei na frigideira legal. E havia muito pela frente.

Anoiteceu. Caminhada de meia hora até a cidadezinha de Zumbi pra jantar. Um energético pra não deixar colar os olhos. Volta-se para o local das barracas, toma-se um banho, tirar o lodo do corpo às vezes é bom. Puxa-se de uma mochila um litro de cana do mal, de outra, um conhaque idem, pra acompanhar, umas tangerinas, chocolate, produtos elma chips e muito papo.

Conversa vai, conversa vem, foi-se a birita todinha. Uns foram se deitar, outros começar a noite. Todo mundo muito doido, então vamos nos embrenhar entre as dunas. Loucura total de 4 cabeças insanas, catorzeanas, cheias de cana. Pra tirar areia, cai-se no rio e por lá se fica. A noite caminha e a gente entende que é a hora de dar um descanso, enganar um pouco o corpo, a pele. Dorme-se.

Acorda-se. É muito cedo ainda. Uns caminham novamente até Zumbi pra tomar um cafezinho maroto. Outros preferem dar um tempo às pernas. Mas logo todos se juntam novamente e toma-se um banho de rio. O sol então decide terminar de queimar o que faltava. Novamente, eu sei, existe protetor solar, mas sabe como é, burradas acontecem, não é pra qualquer um.

Hora do almoço. Desarma-se as barracas, arruma-se tudo, zarpa-se a embarcação catorzeana adivinhem pra onde... Zumbi. Então pegue mais caminhada, dessa vez com a companhia de um sol de meio dia. Assamos na grelha legal. Uns pareciam camarão, outros uma picanha bem passada.

Zumbi. Um quiosquinho à beira mar. Muitas cervejas. Uma trilha sonora de batucada inexoravelmente fora de qualquer sintonia, o alegre e divertido batuque de bêbados de praia. Um peixe delicioso no almoço. Mais cervas enquanto o busão não vem. Chegou! É, galera... hora de irmos. No caminho, pouco papo. Apenas lembranças, sonhos. Todo mundo muito cansado. Satisfeito. Porra, amanhã é segunda! É, nem me fale, ter que voltar ao mundo real, a velha rotina de casa-trabalho-universidade-casa. Solo natalense, a festa acabou, sobra-se a nostalgia nos dias de chuva.



P.S: Eu continuo no ritmo de um acampamento todo mês. Já foram três com esse. Cada vez uma galera nova. Uns se juntam, outros dão um tempo. A essa galera de agora eu gostaria de dizer que gostei muito da companhia. Muita diversão e histórias. Um abraço especial à Daguinha e Roberto, pais de Beto que esteve presente ao lado das também catorzeanas Rayanne e Ceci. Completa a trupe, este vagabundo tostado que neste fracassado blog derrama o seu prazer.


Pra quem ainda não conhece, visitem: catorzeblog.wordpress.com

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

TAMBABA (parte III) - Últimos momentos

Pra manter a ordem, vários policiais passam fazendo rondas na praia. No começo intimida ver os caras no traje oficial andando no meio dos peladões, mas acabei me acostumando. Qualquer ato ofensivo, qualquer problema que interrompa a ordem no local pode ser denunciado aos tiras.

Apesar do respeito, vez por outra aparece alguém pra criar problema. Segundo um naturista com o qual conversei, tem vezes que uns engraçadinhos arranjam umas prostitutas e vem pra Tambaba achando que por ser permitida a nudez, pode se fazer de tudo. “Houve um caso em que veio um grupo de homens embriagados com prostitutas de Recife. Eles chegaram de madrugada e ficaram na praia bebendo mais. Amanheceu e as pessoas que chegavam acabaram se deparando com eles dormindo um por cima do outro, com camisinhas jogadas. Com esses problemas a imagem do naturismo acaba ficando suja”, comentou.

Tem gente que acredita que as praias de NATURISMO são verdadeiros inferninhos. Todo mundo nu, com as coisas balançando e muito entre e sai. Falsas impressões. Para uma praia de NATURISMO funcionar oficialmente é preciso tanta regra que acaba provocando muitas reclamações por parte de quem tem curiosidade de freqüentar. Para se ter idéia, homem só entra acompanhado de uma mulher. E uma mulher que estiver menstruada não pode ficar vestida, tem que utilizar um absorvente interno. E mais, qualquer coçadinha mais demorada nas partes, já pode ser interpretada como masturbação.

Quem vai a Tambaba tem que ir com dinheiro em mãos. Lá não se usa cartões. Eu, pateta que fui, não me liguei nisso e por pouco não fiquei zerado. Tive que tirar um dia para ir à Jacumã, a praia mais próxima que conta com um caixa-eletrônico. Para tanto, acordamos cedo, eu e Priscila, e subimos vestidos até a Arca do Bilú, onde é o ponto de ônibus. Perguntamos a um atendente do restaurante sobre o horário do busão e o cara disse que já havia passado um e o próximo ia chegar por volta de uma hora da tarde. Ainda eram 09h. Ficar esperando até lá não rolava. O cara disse que tinha carro no restaurante e que levava a gente até Jacumã por R$ 15. Muito caro!

O restaurante estava com um banquete de café-da-manhã pronto para servir os hóspedes. Perguntamos para a dona quanto ela fazia um café pra gente e ela fechou por 7 contos para cada. Ficou um bom preço tendo em vista o baita café-da-manhã. Tinha de tudo e bem quentinho e fresco. Frutas, sucos, ovo frito, macaxeira cozida, carne de sol, tapioca e os cambal.

Rangamos bem. Quando ainda digeríamos, chegou um caminhão de lixo com uma turma de garis para dar uma limpada no local. Priscila se virou pra mim e disse: “Ramon, se ligue boy, vá lá arranjar uma carona pra gente”. Pô, carona no caminhão de lixo rola, Priscila? “Rola sim, mermão, vá lá se não a gente vai mofar aqui esperando um ônibus”. Então eu fui e consegui uma carona muita da boa pra gente.

Marinalvo, o motorista, chamou a gente pra ir no banco da frente com ele. Disse que já havia dado carona para outros naturistas e que não tinha problema nenhum em fazer isso, afinal ele tinha que fazer a limpeza na praia duas vezes por dia, uma pela manhã e outra à noite.

Perguntei a ele se alguém famoso veio à praia durante o evento e ele me respondeu que viu a Mulher Samambaia. “Eu fiquei impressionado com ela. Tirava foto com todo mundo, era simpática, não andava com segurança nem nada. Tirou até foto abraçada com os garis”, disse. E ela não ficou pelada não? “Ela veio fazer matéria para o Pânico, começou só de biquíni, depois tirou a roupa. Todo mundo foi bater foto. Ela tem um corpão, mas é aquele negócio, muito cheio de silicone”, comentou. Depois fiquei sabendo que as cicatrizes das cirurgias dela davam pra ver de longe. Mas isso foi comentário das mulheres. Os marmanjos mesmo, só se ligaram no tamanho do pandeiro (Veja algumas fotos) .

Fomos à Jacumã. Retiramos uma grana e aproveitamos para ir à praia. Tomamos banho, caminhamos, conhecemos a orla, almoçamos, sempre enchendo a cara. Tava tudo muito bom, mas eu queria mesmo é ficar pelado, então vimos que estava na hora de voltar pra Tambaba. Antes de ir, passamos num mercadinho e fizemos umas comprinhas para o café-da-manhã do outro dia. Ainda deu pra levar uma cachaçinha da terra. Esperamos o último busão do dia, pegamos e rumamos à Tambaba.

Em Tambaba, já anoitecendo, ficamos sabendo que havia rolado um campeonato de surf naturista. Todo mundo peladão pegando onda. Quem também apareceu por lá foi o Maurício Kubrusly (vestido) fazendo matéria para o Fantástico. As pessoas já se despediam. Muitos iam embora. Era o último dia do congresso. A única festa que ia rolar, batizada de “Adão e Eva”, foi cancela. Não restava mais nada a não ser curtir as últimas músicas que uma banda estava tocando, por sinal, ao lado da nossa barraca.



Os poucos que restaram estavam animados, dançando e conversando muito. Priscila foi desabar de sono na barraca e eu fiquei com a minha long neck de cachaça. Fiquei curtindo o som e vendo a lua surgir lá no horizonte do mar.

Mais tarde, quando o silêncio já reinava e a cachaça estava perto do fim, fui dar uma andada atrás de uma pobre alma para bater um papo. Não encontrava ninguém. Todo mundo nas suas barracas, provavelmente fazendo aquilo (ora, naturista também fode). Foi então que eu vi que o bar do Xexeu estava aberto às 10 da noite. No bar só tinha garotos e garotas adolescentes, todos vestidos. Eles estavam fazendo um churrasquinho. Os filhos do Xexeu deviam estar no meio. Cheguei no balcão e perguntei se ainda estava saindo alguma coisa. “Só batata frita”, um dos garotos respondeu. Massa! Pode preparar aí que eu vou pegar minha grana na barraca e já volto.

Voltei com Priscila e a carteira. Era o último dia e não custava nada se dar ao luxo de gastar uma graninha. Pelados, ficamos numa mesa e detonamos a batata frita com doses de cachaça para aquecer o corpo do vento frio.

Acendi um baurets pra terminar o congresso numa boa. Mal subiu o cheiro, chegou uma galegona na mesa. Com um português de sotaque estrangeiro, ela disse: “huuuum... senti a cheirro te lonrge. Ainda nom tinha visto niquém curtindo a um fumim porr aqui”.

Dividi o baurets com a gringa, em troca de uma conversa. Ela é holandesa. Está há 9 anos no Brasil. Seus pais moram no litoral paulista. Ela não gosta de lá e por isso está numa turnê por todo o litoral do nordeste. Começou lá no Maranhão e veio descendo. Jericuacuara, Canoa Quebrada, Galinhos, São Miguel do Gostoso, Ponta Negra, Pipa, já conhece tudinho. Aproveitou o evento em Tambaba para vir conhecer. Chegou sozinha, peladona, apenas com um mochilão nas costas. E adorou. Achou a praia mais bonita do nordeste até agora. Tanto pela paisagem como pelo NATURISMO.

O baurets ia pelo meio quando chega de repente uma dupla de tiras. Devido ao escuro não deu pra ver os “homi” chegando. Apaguei o bicho no susto mesmo. O cheiro ficou pelo bar. Mas não aconteceu nada não. O garoto no balcão depois veio até mim e disse que os caras não sacaram nada, ou pelo menos fizeram que não viram. Eles vieram só tomar uma dose de rum e seguir com a ronda. A gente podia ficar tranqüilo.

A noite não podia estar mais linda. A lua escolheu o fim do congresso para vim dar um alô. Estava tudo massa! Eu estava de boa e comecei a filosofar sozinho sobre a experiência pela qual me expus.

Lembrei que a castração de partes do nosso corpo foi arbitrária. Que o fato da nudez estar associada à sexualidade é por causa de revistas, filmes, crenças, complexos e obsessões. Que se pensarmos bem, o uso de certas roupas e adereços é que compõe, como sabemos, um fator que visa acentuar uma postura destinada a despertar o interesse sexual. Foi aí que cheguei à conclusão que no NATURISMO o indivíduo assume o corpo que tem. Foi assim que nasceu e essa é a sua verdadeira identidade.

Na manhã seguinte, tomamos nosso último banho de mar. Aproveitamos os últimos raios de sol. Curtimos nossos últimos momentos de completa nudez. Desarmamos a barraca. Arrumamos as bagagens. Nos despedimos de tudo. E Pegamos nosso ônibus com destino a realidade.


Fim.

sábado, 20 de setembro de 2008

TAMBABA (parte II) - Pelados à beira mar

Há uma diferença entre naturismo e nudismo. O Naturismo é um modo de vida, em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática da nudez social, com a intenção de encorajar o auto-respeito, o respeito pelo próximo e pelo meio ambiente, como assim ficou definido internacionalmente. O nudismo é simplesmente a prática de freqüentar sem roupa um determinado lugar.

Em pouco tempo despido, deu para perceber quem apenas queria ficar pelado e quem ficava pelado por filosofia. Apesar das diferenças, o ambiente é de respeito. Não há ninguém que lhe deixe incomodado. Que fique de olho em seus dotes. Que lhe deixe constrangido de estar nu.

Sou marinheiro de primeira viagem, então no começo eu fiquei constrangido, mas um tempo depois o embaraço sumiu. Quando passou eu percebi que a vergonha foi entre eu e meu corpo. Você não tira a roupa com vergonha que os outros olhem, você não tira a roupa porque você não conhece ao certo seu corpo. Não tem autoconfiança. Depois que você começa a andar nu e ver todos do mesmo jeito, se divertindo, curtindo a praia, indo e vindo, a sexualidade do corpo passa a ficar em segundo plano. Não há como ficar excitado nesse ambiente a não ser que o motivo seja esse.

Nus, eu e Priscila passamos pela primeira parte da praia. Para chegar ao outro lado, onde a nudez é de fato obrigatória, os visitantes precisam atravessar um pequeno caminho por dentro da mata. Um espaço onde representantes do Naturismo de Tambaba ficam para responder qualquer dúvida sobre o Naturismo e a praia.

Chegando no outro lado, eu me deparo com uma imagem interessante. O que para alguns seria no mínimo estranho, engraçado ou putaria, eu vi com bastante entusiasmo. Cerca de 300 pessoas curtindo a vida peladas. Homens e mulheres, gordos e magros, velhos e jovens, crianças, brancos e negros, famílias, casais, grupos de amigos fazendo tudo que qualquer pessoa faz na praia, só que nus.

Essa parte da praia é mais ampla e tão bela quanto a outra. Coqueiros, falésias, areia branquinha, mar ótimo para banho e muito bom para surfar. Por sinal, um peladão cortava as ondas praticando kit surf. Na areia, uma rede de vôlei armada com homens e mulheres jogando. Uma grande quantidade de mesas e cadeiras, com toda a cambada de adeptos do naturismo tomando umas cervejinhas e outros, mais radicais ficavam nos suquinhos.

De frente para o mar, uma pousada/restaurante. O único estabelecimento nessa parte da praia. O dono, Kleber, é um antigo naturista da região. Foi com ele que eu cheguei para perguntar se ainda havia espaço para montar uma barraca no terreno da pousada. Ele encontrou um lugarzinho primeira. Ao redor, 12 barracas de camping armadas. De um lado, uma barraca grande abrigava um casal com um par de filhos. Vieram conhecer Tambaba e acharam legal passar uns dias acampados. De outro lado, uns casais de branquelos conversavam em frente das barracas. Todo mundo parecia de paz com tudo. Só curtindo a maresia com as bolas e seios de fora.

Em meia hora eu e Priscila armamos a barraca. O que nos parecia ser um trabalho difícil, pois nunca tínhamos acampado, não poderia ser mais fácil. Barraca pronta, tratamos de jogar todas as nossas tralhas lá dentro e ir sair para dar uma volta pela praia.

Comprei uma cerva e fui conhecer a praia com Priscila que ia de água de coco. Era tudo novo pra gente. A paisagem, as pessoas se divertindo. Passando por uma parte com rochas, encontramos outro espaço da praia, menos movimentado, onde os mais tímidos ficavam pegando sol e fazendo piquenique.

Sempre pelados, fomos para a primeira parte da praia. Lá há o restaurante do Xexeu. Um local erguido com madeira, bem rústico. Demos uma sacada no cardápio e notamos que é o local mais barato para se comer na praia. Nos sentamos e pedimos uma carne de sol com fritas. Para beber, mais gela. Enquanto a maresia batia nos meus culhões, eu via o sol se preparando para se pôr.

Depois do almoço show de bola, fomos dar uma olhada nos estandes na parte de cima da praia. Muita coisa pra gringo. Quis comprar uma revista brasileira sobre naturismo, mas não havia mais exemplares à venda. Encontrei um estande que vendia uma cachaça de Tambaba. Provei umas doses e resolvi comprar uma garrafa. Mais pra frente vi uns artesanatos, camisas, uma mulherzinha vendendo licores, parei. Provei uns 10 sabores e comprei um licor de cupuaçu que me pareceu o mais gostoso. Antes de voltar pra barraca, já de noite, jantamos uns pasteis que eram verdadeiras refeições.

Na praia, o movimento era pouco. Só restava a galera que estava acampada e hospedada na pousada. Curti o silêncio da noite. A lua estava se preparando para no dia seguinte a aparecer completamente cheia. O vento estava frio. Eu andava pela praia devidamente embriagado de tanta birita. Faltava acender um baurets para eu terminar a noite de boa. Sem medo nem roupa, meti brasa e viajei com a maresia.


Continua.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

TAMBABA (parte I) - Rumo ao Paraíso

Seguia a BR-101 na direção sul dormindo no ônibus. Sonhava ansioso com o que me esperava no Estado vizinho, a Paraíba. Por mais firme que eu demonstrasse ser, na hora de tirar a roupa e seguir em frente na orla de Tambaba, sabia que ficaria indeciso.

A chegada no Terminal Rodoviário de João Pessoa foi tranqüila. Como outras rodoviárias país afora, a de João Pessoa é localizada na parte periférica da cidade. Por isso é fundamental ficar de olho bem aberto. Alguns mendigos perambulam o local em busca de trocados e vacilos. Os policiais presentes não dão conta do recado, e por mais surras e ameaças feitas contra os marginalizados, estes acabam voltando. Para tentar ajudar contra essa péssima primeira impressão nos turistas, faixas foram colocadas em vários lugares no terminal alertando para que não se dê esmolas aos mendigos. “A vítima acaba sendo você”, diziam.

Para a praia de naturismo faltava uma hora de estrada percorrida no ônibus da Boa Viagem. O busão é de qualidade e a passagem custa R$ 4,80, que somados aos R$ 26,00 que é o preço mais em conta da passagem Natal – João Pessoa, o total gasto em transporte fica praticamente por R$ 31,00. A merda é que para Tambaba vão apenas três ônibus por dia. Um de manhãzinha, outro no horário do almoço e o último ao anoitecer. O que pode tornar sua viagem um pouco cansativa de tanto ter que esperar pelo busão.

Tambaba é a última descida. No fim da linha há uma pousada e restaurante, a Arca do Bilú. O dono, Marcos Bilú, é uma figura. Meia idade, jeitão de surfista, cego de um olho, anda de sunga e camisa pelo restaurante, mora no local com a mulher e filhos, é naturista. Ele que informou que a descida para a praia ficava mais a frente. E então fui mais a frente.

Antes de descer uma baita ladeira que dá acesso a orla, me deparei com uma paisagem espetacular. Falésias enormes e multicoloridas, vegetação com resquícios de mata atlântica e coqueiros, além de um céu azul que se funde com o mar. O movimento de pessoas estava intenso, até porque Tambaba estava sediando um evento de suma importância para o naturismo brasileiro e turismo local: o 31º Congresso Internacional de Naturismo, que pela primeira vez acontecia na América do Sul.

Gente de todo o Brasil e do mundo veio para a Paraíba conhecer a paradisíaca praia de naturismo do nordeste. Uma boa estrutura foi montada para receber os visitantes. Um espaço para palestras, estandes para venda de artesanatos, produtos da região, pacotes turísticos, um balcão para informações, lanchonetes e um restaurante self-service ao preço de R$ 18, 00 o prato individual (por esse preço se percebe que as coisas no local eram os olhos da cara).

Naquele momento, ao sol do meio-dia, sem ter almoçado, doido por uma gela, carregando nas costas uma mochila, colchonete e uma barraca, tudo o que eu mais queria era descer para a área de camping que ficava a beira mar e montar logo a barraca, tarefa a qual eu jamais havia realizado, pois nunca tinha acampado na vida, para logo depois curtir o ambiente.

Antes de botar o pé na areia da praia, um rapaz, negro, baiano, só de sunga e com o crachá da organização pendurado no pescoço aparece: “Ôpa! A partir daqui, só tirando a roupa”.

“Mas perai, a parte para nudismo não é a partir dali?”, perguntei.

“É, cara, mas para o congresso a organização achou melhor incluir essa área como área de nudismo também e que o uso de roupas está proibido”.

Na orla de Tambaba há uma pequena área em que a nudez não é obrigatória. É como um espaço de adaptação em que as pessoas tomam coragem para em fim ficarem nus por completo. Para o congresso, como o baiano havia dito, esse espaço não era mais para adaptação e sim para já estar pelado.

Então me veio à cabeça todo o percurso da minha viagem, desde Natal, onde meu pensamento era convicto de que não seria problema tirar a roupa, passando por João Pessoa e chegando onde estava: a um pé de sentir a areia de Tambaba.

Foi aí que eu olhei para Priscila, minha companheira de viagem, e acenei com a cabeça como que dizendo, “é agora!”. Comecei tirando a camisa, depois as havaianas e baixei o calção de uma só vez, com cueca e tudo. Nu. Peladão. Com o pau e bunda amostra. Priscila foi um pouco mais lenta. Estava tímida. Mas enfim ficou nua também. Guardamos as roupas nas mochilas, segurei o colchonete e a barraca nas costas e então seguimos em frente rumo ao paraíso...

Continua.